Twitar, ou mandar uma mensagem de mural no Facebook, é como se masturbar, se pensarmos que escrever um post em um blog seria uma boa transa. Pronto, aqui está o resumo de todo este post, se decidirmos ficar apenas nos 140 caracteres que tem regrado muito dos meus pensamentos nos últimos tempos. Olhando para o meu blog, percebo que cada vez mais tenho o trocado por soluções mais rápidas; mais eficientes. Em 2008, quando fui apresentado ao Twitter pelo meu professor Sérgio Amadeu, a idéia de resumir um pensamento em poucas palavras me pareceu irresistível. Quem escreve blogs há um bom tempo, como eu, já percebeu que muitas vezes escrevemos textos maiores do necessário, quando daria pra se resumir tudo em poucas linhas. Isso acontece porque há uma sensação de desperdício, como se uma idéia não fosse bem explorada, seria uma perda de tempo atrair os leitores para uma novidade que não duraria muito tempo. Porém, muitas vezes nosso desejo era de postar apenas uma linha; uma sacada que tivemos que se explica por si mesmo – algo tão hermético que dissecarmos a idéia, o bicho morre. Mesmo assim, muitas vezes fazíamos isso: publicávamos coisas com uma linha apenas e tínhamos a sensação de estarmos transgredindo o mundo. Uma outra coisa que favoreceu os nanoblogs (termo usado na época), era a exposição que os nanotextos tinham. Um blog faz parte de seu próprio mundo, ou universo. Já o Twitter, Facebook e outras redes sociais que permitem pequenas publicações, trabalham com a idéia do coletivo, do misturado. Por mais que em seu blog sua voz fosse mais alta, ela era muito mais ouvida quando, mesmo no meio de um bilhão de outras pessoas, era publicada no mercadão das redes sociais. E, assim sendo, com o tempo, fui migrando minhas idéias e pensamentos para as redes, abandonando meu pequeno B-612. Quem acompanha meu blog há muito tempo já percebeu isso. E a prova fica clara olhando a lista de meses com publicação neste ano e ano passado. É interessante perceber que os espaços entre as publicações começaram depois de novembro de 2009, quando voltei de viagem e comecei a usar mais o Facebook para manter contato com os amigos que havia feito.
Acontece que, como eu já deixei claro logo na primeira frase, nanotextos são masturbação! Não quero ser interpretado errado, eu adoro punhetar! Mas, isso vicia e deve-se tomar muito cuidado quando buscamos sempre uma solução mais rápida, indolor, no lugar de algo mais intenso, profundo e humano. Para publicar um nanotexto no Facebook, Twitter e afins, você não precisa namorá-lo antes, levá-lo para jantar fora, ou até mesmo, se preocupar se ele tem como voltar pra casa no dia seguinte, caso seja uma inspiração de uma noite apenas. É simplesmente um desejo que bate e precisa ser saciado. É tesão instantâneo e não trabalhado. É uma delicia, eu concordo, mas n!ao é tudo. De vez em quando, é muito bom acordar, olhar pro lado e ver aquela sua idéia lá, deitadinha do seu lado, meio adormecida, mas com um sorriso nos lábios, e saber que ela é sua!
Mas, às vezes, as idéias são grandes demais para caberem apenas em um post. Então elas crescem e podem virar um livro. Eu escrevi um livro este ano, minha monografia de pós-graduação. Foi sofrido, estressante e doloroso, ao mesmo tempo que único, prazeroso e lindo. Uma experiência única! Mesmo depois de terminado, eu ainda penso nele, o revisito de tempos em tempos, falo sobre ele por horas sem me cansar e mostro fotos para todos que quiserem ver. Ele não é uma punhetada, muito menos uma bela trepada. Ele é muito mais do que isso. Deve ser por isso que, quando escrevemos um livro, como começo meio e fim, contando alguma história que contém o nosso mais íntimo, chamamos de romance.
PS: só para constar, a primeira frase tem exatamente 140 caracteres.
