Um sonho e um amor

novembro 21st, 2011 § 0 comments § permalink

Ontem aconteceu novamente. Eu sonhei com alguém que não conheço e, pela duração do sonho, nós nos amamos.

É complicado quando passamos o dia inteiro pensando em uma pessoa que não existe. Mas foi desse jeito que fiquei hoje. É engraçado, mas eu não me lembro de estar loucamente apaixonado por ela, ou de ter sentido algum medo ou ansiedade antes de algo acontecer. Lembro apenas do momento em que estávamos sentados ao lado no ônibus e ela me disse, como quem não se importa com a opinião do outro: “eu já considero você meu namorado”. O resto foi uma sequência lógica de tudo isso. Lembro também de sentir dúvidas e aquele meu velho medo de ficar com alguém “pra sempre”. O mais estranho é que quando tudo acabou, o único gostinho que sobrou – aquele que perdurou pelo resto do dia – foi o de uma pessoa que gostava de mim e não se importava com o fato de eu não acreditar nisso; uma pessoa que chegou tão sorrateira que não me deu tempo de pensar e invadiu meu coração e se alojou ali dentro como pode. Alguém que fez algo que nunca funcionaria na vida real, mas que me permitiu experimentar algo que há muito tempo não sinto. E no final de tudo, a melhor lembrança foi a de poder segurar sua mão sem ter que me preocupar com nada.

“Last night I dreamt That somebody loved me
No hope, no harm, Just another false alarm”
- The Smiths
Explodingdog - Let's Take the Next Step

O milagre da vida

agosto 13th, 2011 § 0 comments § permalink

… Só um minuto.

Você já parou pra pensar no milagre que é a vida? Já parou pra pensar que é tão absurdamente minúscula a probabilidade que levou as coisas a existirem do jeito que são, ou até a existirem de qualquer maneira, que para muitos, como que para não ter que aceitar que somos todos frutos da maior improbabilidade improvável, a idéia de que existe uma mente superior por trás de tudo isso se torna óbvia? Muitas vezes eu acho que não. Muitas vezes eu acho que as pessoas se esquecem de olhar para o infinito e para o vazio e ver como somos abençoados com um dom tão maravilhosamente único que realmente não vale a pena perder tempo julgando e condenando aqueles que também receberam esse dom, mas decidiram gozá-lo de forma diferente do que a sua. Não falo apenas de homossexuais, pessoas que seguem religiões diferentes ou que se vestem e se expressão de um forma não convencional para a sociedade, mas sim de todo tipo de manifestação do ser humano que é oprimida por leis, costumes, opiniões e outras verdades mil. A regra de ouro é mais simples do que “não faça com o outro o que você não deseja para si”. A regra de ouro é “faça o que quiser fazer, só não obrigue ninguém a fazer algo que não queira”. Então, se você quer comer um outro ser humano e esse ser humano aceita, quem sou eu para julgar isso? Eu penso que isso é um grande desperdício de vida. Mas, a minha jornada semanal de trabalho que me causa doenças, rouba meu tempo, me impedindo de conquistas verdadeiras e que serve apenas para alimentar um sistema virtual de conceitos inventados também não é um desperdício de vida? Uma grande amiga me disse semana passada que condena a prostituição. Mas eu penso: não somos todos grandes prostitutas, vendendo o que é mais sagrado em nós mesmos em troca de migalhas? Não condene para não ser condenado. Nós acreditamos que nosso sofrimento é culpa de governos neligentes, de empresas sanguesugas, de gente poderosa sem escrúpulos. Isso tudo é verdade, mas a gente se esquece que somos nós que causamos esse sofrimento quando impedimos que alguém viva do jeito que ela quiser. Nós, que apenas nos tornamos iguais quando encontramos um diferente. Acho que é hora de parar pra pensar no milagre que é a vida e na crueldade que é impedir alguém de vivê-la.

 

Humble Indie Bundle

julho 29th, 2011 § 2 comments § permalink

Eu fiquei sabendo do Humble Indie Bundle através de um Tweet do Potter, que me enviou o lnk do projeto dizendo “O tipo de iniciativa @mariohenrique style”. Cliquei já esperando algum tipo de piada ou sacanagem, mas o que encontrei foi algo que realmente representa aquilo que espero na sociedade: A Anarquia!

O Humble Indie Bundle é um projeto simples: Cinco jogos criados por desenvolvedores independentes são colocados para doação à venda pelo preço que o comprador achar que é válido. Os jogos são disponibilizados em Linux, Windows ou MacOSX e não possuem nenhum tipo de trava ou DRM (Digital Rights Management) que o impeça de copiá-los e distribuí-los a vontade aos seus amigos ou instalá-los em outros computadores. Caso você apague os arquivos acidentalmente, ou tenha que formatar o computador e esqueça de salvar uma cópia, você pode voltar ao site e baixar os jogos novamente, enquanto aquela versão do Bundle estiver válida. O pagamento pode ser feito por PayPal (que já está no Brasil) ou pela Amazon ou Google Checkout. Tudo muito lindo, tudo muito simples, tudo muito fácil.

Outra coisa bem interessante é que o valor doado pago pelo usuário pode ser dividido como ele bem entender entre: a) Os desenvolvedores dos jogos. b) A equipe que do Humble Indie Bundle. c) A EFF (Eletronic Frontier Foundation – um entidade que luta pela liberdade na internet) e d) A Child’s Play (ONG que leva brinquedos e jogos para crianças em hospitais). Uma coisa interessante é que eles exibem os dados das doações dos pagamentos, como o valor total ranking dos 10 maiores contribuintes, um gráfico dos downloads dividido por plataforma e o valor médio pago pelos usuários de cada um dos 3 OS. Nisso fica comprovado que usuários de Windows são mão de vaca mesmo e que a galera do Linux realmente dá suporte a causa que acredita, pagando, em média, quase 4 vezes mais que os primeiros. Os usuários Mac estão na média, pagando pouco mais do que os ,99 US$ padrão dos jogos da App Store.

Até agora, tudo parece bem interessante. Mas eu ainda não falei dos jogos. Atualmente, o Humble Indie Bundle está em sua terceira edição, e os jogos inclusos são:

  • Crayon Physics Deluxe – como já diz o nome, um jogo onde se utiliza peças desenhadas com um giz de cera para se atingir o objetivo de guiar a bolinha até a estrela.
  • Cogs – um puzzle envolvendo rodas dentadas, máquinas a vapor e 3d!
  • VVVVVV – meu favorito! Um jogo com visual estilo e jogabilidade Atari (direcional e 1 botão apenas). Você deve guiar o capitão de um nave espacial através de labirintos para encontrar os membros de sua tripulação, tendo apenas o controle da gravidade ao seu lado. Ou não!
  • Hammerfight – Uma idéia interessante: pequenas naves carregando correntes e uma maça na ponta se degladiando através de golpes confusos e movimentos destruidores de pulso no mouse.
  • And Yet It Moves – Primo ideológico do VVVVVV e do LocoRoco. Você guia o personagem principal por um mundo feito de pedaços de papel rasgado, guiando-o por caminhos tortuosos e virando o mundo de cabeça pra baixo, se necessário para atingir seu objetivo.
De todos, o único que não gostei foi o Hammerfight, todos os outros se mostraram muito divertidos. Só fiquei um pouco deprimido quando vi que as edições anteriores continham jogos como Braid (um dos melhores jogos de todos os tempos) e World of Goo (que eu sou louco pra jogar). Ah, além disso, quem comprar esta versão de Humble Indie Bundle tem direito a jogar Minedraft (que é um jogo famoso, mas nunca joguei) de graça até o final do Bundle.
No momento em que escrevo este texto, eles já arrecadaram mais de 700.000,00 US$ dessa forma. É claro que, dividindo tudo, cada desenvolvedor deve ter embolsado uma média de 50.000,00 US$. Mas isso já é maravilhoso! Afinal, o objetivo final não é se tornar milionário com uma única criação, não é? Mas sim, receber os frutos merecidos por um trabalho bem feito e conseguir investir em uma nova empreitada. Ganhos pequenos, mais constantes. E ninguém dominando mercado algum!
Eu paguei 5,00 US$. E você, quanto vai pagar?

Sobre posts e trepadas

julho 22nd, 2011 § 0 comments § permalink

Twitar, ou mandar uma mensagem de mural no Facebook, é como se masturbar, se pensarmos que escrever um post em um blog seria uma boa transa. Pronto, aqui está o resumo de todo este post, se decidirmos ficar apenas nos 140 caracteres que tem regrado muito dos meus pensamentos nos últimos tempos. Olhando para o meu blog, percebo que cada vez mais tenho o trocado por soluções mais rápidas; mais eficientes. Em 2008, quando fui apresentado ao Twitter pelo meu professor Sérgio Amadeu, a idéia de resumir um pensamento em poucas palavras me pareceu irresistível. Quem escreve blogs há um bom tempo, como eu, já percebeu que muitas vezes escrevemos textos maiores do necessário, quando daria pra se resumir tudo em poucas linhas. Isso acontece porque há uma sensação de desperdício, como se uma idéia não fosse bem explorada, seria uma perda de tempo atrair os leitores para uma novidade que não duraria muito tempo. Porém, muitas vezes nosso desejo era de postar apenas uma linha; uma sacada que tivemos que se explica por si mesmo – algo tão hermético que dissecarmos a idéia, o bicho morre. Mesmo assim, muitas vezes fazíamos isso: publicávamos coisas com uma linha apenas e tínhamos a sensação de estarmos transgredindo o mundo. Uma outra coisa que favoreceu os nanoblogs (termo usado na época), era a exposição que os nanotextos tinham. Um blog faz parte de seu próprio mundo, ou universo. Já o Twitter, Facebook e outras redes sociais que permitem pequenas publicações, trabalham com a idéia do coletivo, do misturado. Por mais que em seu blog sua voz fosse mais alta, ela era muito mais ouvida quando, mesmo no meio de um bilhão de outras pessoas, era publicada no mercadão das redes sociais. E, assim sendo, com o tempo, fui migrando minhas idéias e pensamentos para as redes, abandonando meu pequeno B-612. Quem acompanha meu blog há muito tempo já percebeu isso. E a prova fica clara olhando a lista de meses com publicação neste ano e ano passado. É interessante perceber que os espaços entre as publicações começaram depois de novembro de 2009, quando voltei de viagem e comecei a usar mais o Facebook para manter contato com os amigos que havia feito.

Acontece que, como eu já deixei claro logo na primeira frase, nanotextos são masturbação! Não quero ser interpretado errado, eu adoro punhetar! Mas, isso vicia e deve-se tomar muito cuidado quando buscamos sempre uma solução mais rápida, indolor, no lugar de algo mais intenso, profundo e humano. Para publicar um nanotexto no Facebook, Twitter e afins, você não precisa namorá-lo antes, levá-lo para jantar fora, ou até mesmo, se preocupar se ele tem como voltar pra casa no dia seguinte, caso seja uma inspiração de uma noite apenas. É simplesmente um desejo que bate e precisa ser saciado. É tesão instantâneo e não trabalhado. É uma delicia, eu concordo, mas n!ao é tudo. De vez em quando, é muito bom acordar, olhar pro lado e ver aquela sua idéia lá, deitadinha do seu lado, meio adormecida, mas com um sorriso nos lábios, e saber que ela é sua!

Mas, às vezes, as idéias são grandes demais para caberem apenas em um post. Então elas crescem e podem virar um livro. Eu escrevi um livro este ano, minha monografia de pós-graduação. Foi sofrido, estressante e doloroso, ao mesmo tempo que único, prazeroso e lindo. Uma experiência única! Mesmo depois de terminado, eu ainda penso nele, o revisito de tempos em tempos, falo sobre ele por horas sem me cansar e mostro fotos para todos que quiserem ver. Ele não é uma punhetada, muito menos uma bela trepada. Ele é muito mais do que isso. Deve ser por isso que, quando escrevemos um livro, como começo meio e fim, contando alguma história que contém o nosso mais íntimo, chamamos de romance.

 

PS: só para constar, a primeira frase tem exatamente 140 caracteres.

Comida Esquentada

julho 22nd, 2011 § 0 comments § permalink

Meu pai costumava dizer para mim, quando eu me recusava a comer comida esquentada, que as pessoas ricas assim o eram porque comiam a comida de ontem ao invés de jogá-la fora e prepararcomida fresca. Eu me irritava. Eu queria comida nova, quente, fresca e preparada na hora. O argumento dele nunca me pareceu muito válido e, com o passar do tempo, fui percebendo que muitas pessoas se tornam ricas por meios que não, em nenhum momento, esquentar comida de ontem para comer, mas sim contatos, oportunidades e, em alguns casos, trabalho árduo. Isso é claro, para aqueles que estavam se tornando ricos. Os que já nasciam assim, nem devem ter idéia do que é comida esquentada.

Pois bem, meu pai estava mais uma vez errado, como a maioria dos pais sempre está em nossa infância. Acontece, porém, que hoje em dia, quase a totalidade da comida que eu preparo não é comida na hora. Eu , quase sempre, só cozinho para congelar, reaquecer e levar de marmita para o trabalho. Muitas outras pessoas também fazem isso e a comida congelada (prima de primeiro grau da comida esquentada) é quase um item certo nas geladeiras de todas as casas. Aliás, as geladeiras inteiras se readaptaram pra isso. O que antigamente era o congelador, virou o freezer, que aliás está se tornando cada vez maior, dividindo as geladeiras mais modernas em duas partes iguais: uma para refrigeramento e outra para congelamento.

Divaguei. Não era isso que queria dizer. Queria dizer é que comer comida esquentada e congelada nunca deixou ninguém rico. Talvez quem produza a comida congelada possa ganhar rios de dinheiro com isso, mas eu, que preparo meu arroz e feijão e os congelo, que quase sempre como a mistura preparada em outro dia, eu não fiquei mais rico por isso. Só que hoje eu me sinto rico. Sinto-me mais satisfeito e mais dono de mim mesmo. Sinto que sou uma pessoa melhor e penso que talvez, de uma forma não exatamente igual a que meu pai se referia, sou a pessoa mais rica que conheço. Sou cheio de falhas, mas não sou uma pessoa que tenha problemas por isso. A cada dia eu fico menos fresco e mais compreensivo, menos insistente e mais contemplativo, menos menino e mais homem. E, se eu paro e volto lá pra traz, vejo que talvez eu fosse diferente se não tivesse comido tanta comida esquentada e aprendido que existe uma diferença bem grande entre uma idéia, um conceito mental e social, e uma experiência vivida. Hoje me enche de água a boca quando sei que tem um restinho de ontem me esperando na geladeira, como se fosse o retorno a um momento feliz. E então eu aprendo que quando fica um pouco de comida na panela, não é resto, é sobra!