A Camisa Verde

junho 20th, 2010

Eu nunca gostei muito de futebol, mas uma coisa que sei é que sou Corinthiano. É engraçado como você pode não saber a escalação, como seu time vai no campeonato e coisas do tipo. Mas, se você assiste a algum jogo e vê seu time indo mal, seu coração para. Outra coisa engraçada é que nunca tive uma camisa do Corinthians (não uma que eu usasse, ao menos), e a única camisa de futebol que comprei para mim mesmo é a do Panathinaikos, o mais importante time grego. O motivo para eu ter comprado essa camisa, como se pode imaginar, foi uma piada interna. Mas não vou me alongar nisso agora.

Eu quase nunca usava minha camisa do Panathinaikos. Ela tem uma gola estranha que não combina com quase nenhuma roupa que eu uso (não que isso importe muito), e, pior que isso, ela é exatamente do mesmo tom de verde da camisa do Palmeiras. Isso sem falar que também possui detalhes em branco. Por isso, eu evito usá-la. Mas ontem, por ironia do destino, eu estava usando.

Eramos 4 caras em um carro saíndo de uma quermesse de igreja e descobrindo que aquilo ali não tinha mais qualquer graça para nós. Como a criatividade em um sábado à noite não é o forte do time masculino, decidimos novamente ir ao nosso bar padrão, o Blue Pub.

O caminho já havia se tornado um padrão para mim e eu o podia fazer sem nem perceber o que fazia. Nos outros assentos, conversas animadas e debates sobre que tipo de música e sobre qual limite de volume conseguiríamos berrar para conversar sobre ela aconteciam e tudo seguia como normal.

Já bem próximo ao bar, em uma das pequenas ruas e quebradas que se tem que tomar em São Paulo para não perder o seu dia inteiro em trânsito, paramos devido ao semáforo. Do outro lado da rua consigo ver algumas meninas um pouco animadas e uma delas começa a se aproximar do carro.

Os outros caras achavam que eu conhecia a garota. Eu também achava. Desliguei o som, puxando o cabo o iPod. Ela enfiou a cabeça para dentro do vidro do carona e disse para mim, ignorando o Gustavo, que estava sentado ali:

- Me dá um selinho.
- O que? Selinho? – Perguntei com medo de tomar uma decisão precipitada.
- É, Selinho. Assim – E fechou seus labios no centro de sua boca e fez um barulho de estalo.

Meio assustado, soltei o cinto e dei um selinho na garota há alguns centímetros do rosto do carona. Ela retirou seu corpo para fora do carro e nós seguimos. Ainda meui zonzo e descrente com a impossíbilidade da história, perguntei:

- O que foi que aconteceu?

Então o Gustavo, que estava mais próximo da garota quando ela falou disse:

- Sei lá, cara. Só sei que ela disse: “Ei PALMEIRENSE, me dá um selinho”.

Acho que vou usar minha camisa verde mais vezes.

Sick Day

junho 8th, 2010

Então eu fiz um miojão com caldo de feijão (que estava mais para creme de feijão), tomei meio litro de chocolate quente e fui dormir na sala, enrolado com o cobertor e um edredon por cima. Acordei mais ou menos, mas ainda sim com dores pelo corpo, indisposição, a garganta dolorida e, novidade, uma leve fotofobia. Aí, é claro, avisei no trabalho que não ia e apelei ao máximo: liguei pra minha mãe.

Ela, o ser mais fofo do universo, veio aqui trazendo um bilhão de verduras, frutas e remédios e está lá preparando um monte de coisas boas e saudáveis que vão me fazer ficar novinho em folha até amanhã.

Morram de inveja, patéticos mortais!

Doente

junho 7th, 2010

Uma das piores coisas de se morar sozinho é ficar doente e não ter ninguém pra te xamegar. Tá, na verdade essa é uma das piores coisas de não morar na mesma casa que sua mãe, ou algum mulher que te ame e te ature mesmo que você se torne uma pessoa irritante (ou seja, só a sua mãe mesmo). Eu estou doente agora e minha vontade e me esconder do mundo dentro do meu edredon e tomar sopa de galinha no canudinho pelo resto da eternidade, com minha mãe perguntando se estou bem a cada 5 minutos e eu me sentindo perfeitamente justificado por faltar no trabalho.

É, eu sei. Estou fazendo manha. Mas até que é gostoso. Nessas horas eu me lembro do Sheldon, no episódio que ele fica doente.

Eu quero queijo quente!

Um pequeno update

junho 6th, 2010

Faz tempo que não escrevo e isso se dá principalmente pela vergonha de nunca ter terminado meu relato da viagem. Eu nunca cheguei a escrever sobre os dias maravilhosos que passei em Madrid, as tardes que passei psicogeografando aquela cidade maravilhosa e as noites surreais que passei no Pub com a Ma. Também nao escrevi nada sobre minha volta a Londres, os apertos da chegada, minha festa de Aniversário multicultural e de como meu coração aperta cada vez que lembro que existe uma pessoa como o Rodolfo no mundo, e que ele está longe de mim.

Mas não acredito que isso seja motivo pra eu deixar o blog morrer. Ainda vou fazer os meus relatos, mas talvez nunca os publique aqui. A European Ice Tour foi uma das coisas mais maravilhosas que fiz em minha vida e carregarei para sempre aqueles momentos maravilhosos. Atualmente minha vida está completamente diferente daquele que eu tinha antes de viajar. Em um resumo, estou vivendo sozinho em um apartamento na Mooca, meu pai e minha irmã estão no interior e muito em breve minha mãe se mudará para lá também. Estou aprendendo a lidar com momentos de vacas magras financeiramente e isso tem me sido uma experiência de grande aprendizado para momentos futuros. No trabalho, uma tsunami de mudanças e incertezas tão grandes que a única opção é pegar uma prancha e tirar o maior proveito do que o mar nos reservar. Minha vida amorosa permanece uma incógnita, mas isso não me abala como abalaria tempos atrás. Tenho feito novos amigos e aumentado laços de amizade antigas. Tenho saído muito mais do que tinha me habituado, mas ainda bem menos do que estava acostumado. Saí do Rei de Copas mas ainda alimento o desejo de fazer música. Estou respondendo totalmente pelos meus atos. Estou feliz.

E agora pouco recebi um vídeo de uma música do Oasis do Potter, um dos amigos mais presentes na minha vida ultimamente e uma das pessoas mais valorosas que vou encontrar na minha vida.

É isso por hora. Fiquem com Deus.

Roma pt3 – Domingo no Parque!

novembro 9th, 2009
European ICE Tour 2009 Penúltimo Dia – Londres

Estou aqui em Londres novamente. Por ironia do destin o estou na Starbucks em que atualizei meu primeiro post da viagem. O Rodolfo está aqui comigo e estamos esperando o Gustavo voltar para irmos para um Pub para a minha despedida com o pessoal. O Rodolfo acabou de perceber o que eu escrevi na senguda frase do post. Muito obrigado a todos pelas mensagens de aniversário e por toda a energia positiva mandada. Tive uma festa bem legal no dia 6 que o Rodox e o Gus organizaram, mas faltaram vocês também. Acho que este será o último post na Europa, mas talvez eu termine de escrever o que rolou em Madri e na volta a Londres, mas serão post pequenos (bem… han… pequenos pro meu estilo, né?). Eu não falei antes porque o Rodox achou melhor eu ficar quieto, mas quando saímos de Londres pela primeira vez, havia acontecido uma merda lá e o arrendatário da casa em que o pessoal morava teve que ser entregue (não foi nada demais, mesmo). Então enquanto estávamos em Edimburgo e Paris, os Aussies (Australianos) estavam procurando uma casa nova… e encontraram. Agora estamos em uma nova casa em Londres, muito mais ampla e muito mais bonita. Ela fica um pouco mais longe do centro, mas é melhor pro Rodox e pro trampo dele. O ruim é que ainda não tem internet. E é por isso que estou postando na Starbucks de Richmond, onde tudo começou.

Mas vamos voltar para Roma, dia 1 de novembro.

Bençaaaa mãe!

(01.11.2009)

Dia primeiro de Novembro, Dia de Todos os Santos e um domingo muito bonito em Roma. Como era esperado, a Érica apareceu lá bem cedo e também já nos encontramos com o Cléber e partimos para nossa camelada do dia.

Nossa primeira parada foi a Praça da República (que é identica a paulistana – yeah, right!) e a igreja Santa Maria de Angeli. Como era domingo estava tendo missa em todas as igrejas que entramos. Nesta, para adicionar, as músicas estavam sendo executadas no orgão lateral, que dava um  toque maravilhoso a igreja. Por fazer parte dos pontos turísticos, as igrejas de Roma, quando em missa, utilizam apenas uma parte da igreja, dividindo-o com cordas. Em alguns prédios utiliza-se o altar principal, em outros, alguma capela lateral. Uma coisa legal da Angeli é que ela possúi uma marcação no chão que, em determinado horário, recebe uma luz que marca a data ou algo do tipo. legal também são os desenhos dos signos do zodíaco no chão (pra deixar desconcertado qualquer católico purista). Depois de lá fomos seguindo andando para a Vila Borghese, que é um parque que fica logo após a Piazza de Spagna. Lá haviam diversos artistas fazendo retratos e caricaturas. Tive vontade de fazer uma, mas fiquei meio exitante. Cara ou coroa. Fiz a caricatura. O interessante foi que o cara meio que me usou para atrair clientes e no final já havia uma galera toda atrás de mim e quando eu saí já sentou um cara para fazer a sua. No final, ele desenhou um  balão de pensamento na minha caricatura e rabiscou algo que ele achou ser a Érica com uns peitos gigantescos. Ele deve ter achado que tinhamos algo. Foi engraçado ver ela tentando dizer para ele não fazer isso.

Logo em seguida fomos para a vila Borghese (ignoramos a Villa Medici – que fica na entrada da Borghese por era mais um museu que tinha que pagar).

O parque é lindo e eu fiquei realmente maravilhado. Aliás, o que mais gostei em toda a Europa foi a quantidade de praças, parques, greens (áreas verdades, como a de Paris) e todas essas áreas feitas para o pessoal se encontrar e curtir. Vimos muitos pais brincando com filhos e gente de todo o tipo se divertindo. Eu encontrei pixado em uma parede: “Alessio e Barbara – Estamos vivendo um sonho que esperamos não terminar”. Tive que tirar foto.

Continuando andando pelo parque, descobrimos que havia um Jardim Zoológico dentro dele. Pode parecer bizarro, mas fomos visitá-lo. Foram 10€ para entrar e lá vimos tudo aquilo que eu já conhecia no de São Paulo. A única coisa que é realmente legal é que os leões ficam bem perto da galera, com só um vidro separando-os dos visitantes (vejam a foto da cara do leão e reparem no reflexo da criança se borrando de medo).

Depois de lá fomos para a Piazza del Pueblo, um a praça maior (cercada por muros, como ensinou-me a Mariana), onde há duas igrejas idênticas uma ao lado da outra (só em Roma, é claro!) e de lá fomos para a Santo Inácio de Loyola, outra igreja com o teto com pinturas em 3D (na verdade, bem mais famosa que a Igreja de Jesus). As fotos não ficaram maravilhosas, mas foi muito bom visitar todas essas igrejas de Roma.

Então nós fomos para o Panteon, que é um lugar feito para ser um túmulo do Vitorio Emanuelle que acabou virando uma igreja. O lugar estava lotado e já estávamos cansados. Tiramos algumas fotos e a foto da lua é de crédito da Érica. Seguimos para um lugar onde o Cleber disse haver o melhor café de Roma. Eu e a Érica preferimos tomas um Gelato e foi aí que aconteceu uma coisa engraçada: nós entramos numa loja da Blue Ice e quando eu vi a atendente, tive um mega susto. Acontece que no começo daquele dia, a gente tinha entrado em outra Blue Ice e a atendente era a mesma! Eu cheguei a sair da loja e a olhar a disposição dos sorvetes para ter certeza de que eu não estava novamente no mesmo lugar. Foi então que perguntei para a atendente e ela disse que ela trabalha nas duas lojas, sim. Ela não me reconheceu, mas disse ter visto a Érica na outra loja antes.Depois do café fomos para mais uma Piaza (praça), que é a Piazza Navona, onde fica o gigantesco, absurdo, e desnecessário prédio da Embaixada Brasileira. Quem conhece sabe o tamanho que o negócio tem e em alguns mapas ele até é citado como ponto turístico.

Após a piazza, seguimos para casa e no caminho encontramos um prédio que o Cleber havia falado antes, onde durante uma reforma foram encontradas ruínas da Roma Antiga. Então eles mantiveram o prédio e as ruínas junto. Uma coisa linda de se ver.

Acho que pegamos o metrô para voltar, mas não tenho certeza. Só sei que chegamos e fomos para o ritual de troca de fotos. No meu quarto havia uma nova hospede, uma chinesa que estava fedendo muito, apesar de bonita. Como eu sei como é passar por mochilão e essas coisas, deixei ela em paz. Depois saimos para deixar a Érica em seu hostel, mas a despedida estava muito amarga para acontecer ainda. Por isso (e porque eu precisava trocar dinheiro para pagar uma dívida com a Érica) fomos para uma pizzaria bem ali do lado. Cara, além de ser uma delícia, a idéia do lugar era genial: pizza por quilo! Você escolhia sua pizza (feita em formato retangular), escolhia o tamanho, o cara cortava, pesava e pronto! Ficamos lá um tempo comendo, conversando e assistindo 300 em italiano junto com o pessoal. A galera de Roma é muito animada e é bem divertido passar um tempo com os locais. Isso sem falar que tinha uma menina extremamente linda e simpática atendendo o lugar. Houveram algumas trocas de olhares e confesso que se eu não encontrar a mulher certa para mim no Brasil (ou ela não estiver solteira), volto e me caso com a italiana!

Voltamos para o Hostel da Érica e nos despedimos dela. Depois no nosso Hostel, eu e o Cleber nos despedimos. Cara, teria sido totalmente diferente a minha estadia em Roma sem esse pessoal. Curti muito com eles e acho que foi esse um dos fatores que me fizeram olhar Roma com os olhos apaixonados que olhei. Não sei se já disse isso, mas, quando eu casar, passarei minha lua de mel aqui.

Quando voltei para meu quarto, a chinesa já havia tomado banho e estava com um cheiro muito melhor. Havia também um outro cara, acho que colombiano, não me lembro. Gente boa. Trocamos facebook e ele me perguntou se eu tinha um carregador de PSP e ficou realmente espantado quando eu disse que sim e emprestei para ele carregar o seu. Outra coisa que aconteceu foi que quando voltei ao quarto, a toalhinha branca de rosto sumiu. Perguntei na recepção se a menina da limpeza tinha pegado, mas eles não sabiam dizer, pois o quartinho delas fica fechado a noite e eles não tem a chave. Bem, fazer o que? No final eles me deram duas horas de internet grátis (2€) e eu aluguei uma toalha deles (2€ também). E foi assim que terminou minha aventura em Roma e foi assim também que terminou a história da toalha de rosto branca, roubada em Edimburgo e que serviu como toalha para 3 caras durante um bom tempo.