Roma pt3 – Domingo no Parque!

novembro 9th, 2009
European ICE Tour 2009 Penúltimo Dia – Londres

Estou aqui em Londres novamente. Por ironia do destin o estou na Starbucks em que atualizei meu primeiro post da viagem. O Rodolfo está aqui comigo e estamos esperando o Gustavo voltar para irmos para um Pub para a minha despedida com o pessoal. O Rodolfo acabou de perceber o que eu escrevi na senguda frase do post. Muito obrigado a todos pelas mensagens de aniversário e por toda a energia positiva mandada. Tive uma festa bem legal no dia 6 que o Rodox e o Gus organizaram, mas faltaram vocês também. Acho que este será o último post na Europa, mas talvez eu termine de escrever o que rolou em Madri e na volta a Londres, mas serão post pequenos (bem… han… pequenos pro meu estilo, né?). Eu não falei antes porque o Rodox achou melhor eu ficar quieto, mas quando saímos de Londres pela primeira vez, havia acontecido uma merda lá e o arrendatário da casa em que o pessoal morava teve que ser entregue (não foi nada demais, mesmo). Então enquanto estávamos em Edimburgo e Paris, os Aussies (Australianos) estavam procurando uma casa nova… e encontraram. Agora estamos em uma nova casa em Londres, muito mais ampla e muito mais bonita. Ela fica um pouco mais longe do centro, mas é melhor pro Rodox e pro trampo dele. O ruim é que ainda não tem internet. E é por isso que estou postando na Starbucks de Richmond, onde tudo começou.

Mas vamos voltar para Roma, dia 1 de novembro.

Bençaaaa mãe!

(01.11.2009)

Dia primeiro de Novembro, Dia de Todos os Santos e um domingo muito bonito em Roma. Como era esperado, a Érica apareceu lá bem cedo e também já nos encontramos com o Cléber e partimos para nossa camelada do dia.

Nossa primeira parada foi a Praça da República (que é identica a paulistana – yeah, right!) e a igreja Santa Maria de Angeli. Como era domingo estava tendo missa em todas as igrejas que entramos. Nesta, para adicionar, as músicas estavam sendo executadas no orgão lateral, que dava um  toque maravilhoso a igreja. Por fazer parte dos pontos turísticos, as igrejas de Roma, quando em missa, utilizam apenas uma parte da igreja, dividindo-o com cordas. Em alguns prédios utiliza-se o altar principal, em outros, alguma capela lateral. Uma coisa legal da Angeli é que ela possúi uma marcação no chão que, em determinado horário, recebe uma luz que marca a data ou algo do tipo. legal também são os desenhos dos signos do zodíaco no chão (pra deixar desconcertado qualquer católico purista). Depois de lá fomos seguindo andando para a Vila Borghese, que é um parque que fica logo após a Piazza de Spagna. Lá haviam diversos artistas fazendo retratos e caricaturas. Tive vontade de fazer uma, mas fiquei meio exitante. Cara ou coroa. Fiz a caricatura. O interessante foi que o cara meio que me usou para atrair clientes e no final já havia uma galera toda atrás de mim e quando eu saí já sentou um cara para fazer a sua. No final, ele desenhou um  balão de pensamento na minha caricatura e rabiscou algo que ele achou ser a Érica com uns peitos gigantescos. Ele deve ter achado que tinhamos algo. Foi engraçado ver ela tentando dizer para ele não fazer isso.

Logo em seguida fomos para a vila Borghese (ignoramos a Villa Medici – que fica na entrada da Borghese por era mais um museu que tinha que pagar).

O parque é lindo e eu fiquei realmente maravilhado. Aliás, o que mais gostei em toda a Europa foi a quantidade de praças, parques, greens (áreas verdades, como a de Paris) e todas essas áreas feitas para o pessoal se encontrar e curtir. Vimos muitos pais brincando com filhos e gente de todo o tipo se divertindo. Eu encontrei pixado em uma parede: “Alessio e Barbara – Estamos vivendo um sonho que esperamos não terminar”. Tive que tirar foto.

Continuando andando pelo parque, descobrimos que havia um Jardim Zoológico dentro dele. Pode parecer bizarro, mas fomos visitá-lo. Foram 10€ para entrar e lá vimos tudo aquilo que eu já conhecia no de São Paulo. A única coisa que é realmente legal é que os leões ficam bem perto da galera, com só um vidro separando-os dos visitantes (vejam a foto da cara do leão e reparem no reflexo da criança se borrando de medo).

Depois de lá fomos para a Piazza del Pueblo, um a praça maior (cercada por muros, como ensinou-me a Mariana), onde há duas igrejas idênticas uma ao lado da outra (só em Roma, é claro!) e de lá fomos para a Santo Inácio de Loyola, outra igreja com o teto com pinturas em 3D (na verdade, bem mais famosa que a Igreja de Jesus). As fotos não ficaram maravilhosas, mas foi muito bom visitar todas essas igrejas de Roma.

Então nós fomos para o Panteon, que é um lugar feito para ser um túmulo do Vitorio Emanuelle que acabou virando uma igreja. O lugar estava lotado e já estávamos cansados. Tiramos algumas fotos e a foto da lua é de crédito da Érica. Seguimos para um lugar onde o Cleber disse haver o melhor café de Roma. Eu e a Érica preferimos tomas um Gelato e foi aí que aconteceu uma coisa engraçada: nós entramos numa loja da Blue Ice e quando eu vi a atendente, tive um mega susto. Acontece que no começo daquele dia, a gente tinha entrado em outra Blue Ice e a atendente era a mesma! Eu cheguei a sair da loja e a olhar a disposição dos sorvetes para ter certeza de que eu não estava novamente no mesmo lugar. Foi então que perguntei para a atendente e ela disse que ela trabalha nas duas lojas, sim. Ela não me reconheceu, mas disse ter visto a Érica na outra loja antes.Depois do café fomos para mais uma Piaza (praça), que é a Piazza Navona, onde fica o gigantesco, absurdo, e desnecessário prédio da Embaixada Brasileira. Quem conhece sabe o tamanho que o negócio tem e em alguns mapas ele até é citado como ponto turístico.

Após a piazza, seguimos para casa e no caminho encontramos um prédio que o Cleber havia falado antes, onde durante uma reforma foram encontradas ruínas da Roma Antiga. Então eles mantiveram o prédio e as ruínas junto. Uma coisa linda de se ver.

Acho que pegamos o metrô para voltar, mas não tenho certeza. Só sei que chegamos e fomos para o ritual de troca de fotos. No meu quarto havia uma nova hospede, uma chinesa que estava fedendo muito, apesar de bonita. Como eu sei como é passar por mochilão e essas coisas, deixei ela em paz. Depois saimos para deixar a Érica em seu hostel, mas a despedida estava muito amarga para acontecer ainda. Por isso (e porque eu precisava trocar dinheiro para pagar uma dívida com a Érica) fomos para uma pizzaria bem ali do lado. Cara, além de ser uma delícia, a idéia do lugar era genial: pizza por quilo! Você escolhia sua pizza (feita em formato retangular), escolhia o tamanho, o cara cortava, pesava e pronto! Ficamos lá um tempo comendo, conversando e assistindo 300 em italiano junto com o pessoal. A galera de Roma é muito animada e é bem divertido passar um tempo com os locais. Isso sem falar que tinha uma menina extremamente linda e simpática atendendo o lugar. Houveram algumas trocas de olhares e confesso que se eu não encontrar a mulher certa para mim no Brasil (ou ela não estiver solteira), volto e me caso com a italiana!

Voltamos para o Hostel da Érica e nos despedimos dela. Depois no nosso Hostel, eu e o Cleber nos despedimos. Cara, teria sido totalmente diferente a minha estadia em Roma sem esse pessoal. Curti muito com eles e acho que foi esse um dos fatores que me fizeram olhar Roma com os olhos apaixonados que olhei. Não sei se já disse isso, mas, quando eu casar, passarei minha lua de mel aqui.

Quando voltei para meu quarto, a chinesa já havia tomado banho e estava com um cheiro muito melhor. Havia também um outro cara, acho que colombiano, não me lembro. Gente boa. Trocamos facebook e ele me perguntou se eu tinha um carregador de PSP e ficou realmente espantado quando eu disse que sim e emprestei para ele carregar o seu. Outra coisa que aconteceu foi que quando voltei ao quarto, a toalhinha branca de rosto sumiu. Perguntei na recepção se a menina da limpeza tinha pegado, mas eles não sabiam dizer, pois o quartinho delas fica fechado a noite e eles não tem a chave. Bem, fazer o que? No final eles me deram duas horas de internet grátis (2€) e eu aluguei uma toalha deles (2€ também). E foi assim que terminou minha aventura em Roma e foi assim também que terminou a história da toalha de rosto branca, roubada em Edimburgo e que serviu como toalha para 3 caras durante um bom tempo.

Roma pt2 – O Coliseu e a Igreja de Jesus

novembro 4th, 2009
European ICE Tour 2009 Dia 26 – Madri

Estou em Madri e meus planos de manter este blog atualizado estão cada vez mais vagabundos. Pensei que não iria fazer nada aqui além de dormir e ver a Mariana, mas é impossível ficar parado quando se tem uma cidade tão linda quanto esta. Aqui se come muito bem com muito pouco, o que explica muito a necessidade da siesta. Mas, bem, não estou aqui para falar da Madri ainda. Por isso, vamos ao segundo dia de Roma. Se tudo der certo, coloco o terceiro dia ainda hoje e escrevo sobre Madri quando estiver em Londres.

(31.10.2009)

Halloween! Mas pra mim foi como se não fosse. Não que o dia 31 de outubro tenha sido um dia ruim, mas foi tanta coisa que aconteceu que eu nem me importei que era dia das bruxas.

Acordei, tomei meu banho e desci para tomar café. Fui buscar um suco na máquina e vi que um cara estava tendo dificuldades para se entender com ela (como eu tivera no dia anterior). Expliquei como funcionava e ele agradeceu e logo na voz eu percebi: brasileiro. Perguntei de onde ele era e confirmei. Seu nome é Cléber e ele também é paulista. Tomamos café juntos e logo a Érica chegou. A Taís também apareceu e se despediu da gente: ela estav a de partida para Firenze.

Eu e a Érica mostramos nossos planos para o Cléber (o que quer dizer: a Érica mostrou os planos para ele, já que eu não tinha a mínima idéia do que fazer) e ele decidiu ir conosco. Três paulistanos em Roma com um destino: O Coliseu.

Antes disso passamos pela Santa Maria Maggiore e depois na San Pietro di Vincoli. As duas são lindas, sendo a primeira linda de fachada e a segunda famosa por duas coisas: o Moisés de Michelangelo e as correntes que prenderam Pedro quando ele foi trazido para Roma. Uma coisa engraçada sobre Roma é que nem todas as igrejas tem uma fachada maravilhosa (que é o caso da San Pietro), mas quando você entra nelas, o queixo sempre cai. Depois das duas igrejas, chegamos no Coliseu.

Como disse bem a Érica, há vários lugares que você sonha em visitar desde que é criança e quando você se vê de frente com eles, não consegue acreditar. O Coliseu foi um desses lugares para nós. Ele surge no meio do nada, com ruas passando ao seu lado e a vida seguindo como se não houvesse nada de mais alí. Mas você sabe que não é bem assim. Confesso que não foi o lugar que mais gostei em Roma, mas foi o que mais aguardava ver e ter ido visitá-lo foi uma puta conquista para mim.

Havia uma fila gigante para entrar. E fila em italiano significa confusão. Se existe gente confusa e mal organizada é a gente da Itália. Entramos e fomos ver um pouco da exposição e quando damos por nós, nos perdemos do Cléber. Eu e a Érica começamos a procurar por ele e foi então que encontramos o Alexandre (o brasileiro lendo Elric no aeroporto de Atenas, lembra?). Ele estava lá fazendo uma visita guiada e disse pra gente seguir com ele. Agradecemos, mas achamos melhor não. Chamamos ele pra sair mais a tarde, mas ele não sabia ao certo o que ia fazer e deixamos quieto. Logo depois, encontramos o Cleber. Andamos um pouco e encontramos o Alexandre novamente no Coliseu. A visita dele havia acabado, mas logo começaria outra pelas ruínas da Roma Antiga (meio redundante, eu sei), que ficam ao lado do Coliseu. Passamos mais um tempo juntos e ele foi para o resto de sua visita e fomos visitar as ruínas por nós mesmos.

Vimos diversas coisas, mas como tudo está bem detonado, não consegui distinguir uma da outra. Sem falar que, após Atenas, eu não ia achar graça em ruína nenhuma do mundo, não? Chegamos a encontrar o Alexandre mais uma vez, depois do final da segunda visita dele e ele nos seguiu até nosso próximo destino, La Boca de la Veritá, que é uma escultura de um rosto que, segundo a lenda, morde a mão de quem conta uma mentira. A boca fica na igreja de Santa Maria Cosmedin, e quem teve infância nos anos 80 se lembra que tinha uma igual no Playcenter. Enquanto esperávamos na fila, Cody e a Shea passaram no ônibus de turismo e nos cumprimentamos. Na igreja de Santa Maria Cosmedin não há nada para se ver além dos ossos de São Valentim. Cara, esse pessoal da itália gosta de umas coisas bizarras, não?

Depois disso fomos ao Vittoriano (um monumento à Vittorio Emanuele II), que é imenso e lindo. Lá procuramos um lugar para comer e depois vagamos um pouco pela região e decidimos entrar em uma igreja só pra ver como era. O nome era algo como Igreja de Jesus e o que vimos dentro nos impressionou absurdos: todas as pinturas eram como se saíssem dos tetos e invadissem os adornos das paredes. Algo muito louco, tipo 3d. A Érica já havia nos dito sobre a igreja de Santo Inácio de Loyola que tem pinturas parecidas, mas só iríamos conhecê-la no dia seguinte. Uma coisa bem interessante da Igreja de Jesus é que ela tem uma imagem de Inácio de Loyola toda cheia de frescuras e, quando encerra o horário de visitação da igreja, eles apertam um botão e desce uma pintura para cobrir a imagem. Outra coisa é que lá eles tem uma relíquia que é um braço de um padre ou santo qualquer.

Depois voltamos para o Vittoriano e de lá subimos para uma praça (que não me recordo o nome) cujo projeto foi feito por Michelangelo (aliás, o cara é o mano de Roma, hein?) e depois disso, já muito cansados, voltamos para o hostel. Naquela noite me despedi do Cody e da Shea, pois iam embora na manhã seguinte.

Roma pt1 – Vaticano e Fontana di Trevi

novembro 3rd, 2009

Adivinhem só: mais um aeroporto e mais um texto atrasado sobre tudo o que aconteceu nos últimos dias. Estou prestes a embarcar para Madri, mas tenho uma hora ainda. Estou cansado pra caramba e não estou com a menor vontade de visitar nenhum lugar. Olha só: eu já vi o Big Ben, a Torre Eiffel, o Partenom, o Coliseu e o Vaticano… Dá pra descansar agora, não? Sem falar que o principal motivo de ir para Madri é encontrar a Mariana e botar toda a fofoca em dia. Mas vamos lá, enquanto eu ainda tenho pique, tentar falar um pouco sobre essa cidade que me deixou completamente apaixonado: Roma.

(29.10.2009)

O nome do menino lendo Moorcock é Alexandre e da menina que se juntou a gente é Érica. Ambos são paulistanos, mas ele está morando em Paris devido aos estudos. Não lembro o nome do casal, mas ela é gaucha e ele carioca. Moram em Londres, mas ela quer voltar.

Chegamos em Roma e a primeira coisa que fizemos foi procurar o trem para a Termini, a estação central de trem, pois o hostel meu e o da Érica ficam perto dela. Os outros três estavam sem hostel ainda. O Alexandre estava todo empolgado para ver logo o Coliseu. Por isso ele não foi conosco para a Termini. Quando chegamos lá, o casal decidiu seguir a Érica para ver o hostel dela. Eu fui para o meu. Eu e a Érica trocamos e-mails e combinamos de nos encontrar no dia seguinte para camelar por Roma. O hostel onde fiquei era maravilhoso comparado aos outros (e beeeem mais caro, 35€ por noite). Quando entrei na recepção, encontrei a Tais, lá de Paris. NOs cumprimentamos e ela disse que queria sair naquela noite. Eu disse que precisava de um sabonente. Peguei a chave, subi para o meu quarto e não encontrei ninguém lá, mas havia uma mala próxima a uma das camas. Desci, fui até uma farmácia, voltei, e quando cheguei novamente no quarto, conheci um casal de irmãos canadenses (Cody e Shea) muito legais. Ela está estudando psicologia na Espanha e ele veio visitá-la e estão fazendo este passeio pela Europa. Desci para o bar do Hostel para encontrar a Taís e ficamos lá conversando. Juntou-se uma outra brasileira (que não sei o nome), uma Russa (Katzerina – ou Katza, como ela mesmo dizia), os irmãos canadenses e um carioca que está estudando em Paris. Ou seja, 7 pessoas das quais 4 eram brasileiras. Em Roma há brasileiros por toda a parte. É como a Érica apontou no dia seguinte: Roma é a segunda casa do brasileiro. Pouco depois, fui dormir.

(30.10.2009)

Acordei diversas vezes durante a noite. Quando deu umas 8 da manhã, tomei um banho, me troquei e desci para o café da manhã. Não havia muita opção, mas era um banquete absurdo em relação ao hostel de Paris. Não sei se eu havia contado, mas em Roma, eutinha apenas 30 minutos de internet grátis por dia. Por causa disso, no dia anterior, combinando a camelada do dia seguinte com a Érica por e-mail, não consegui enviar a mensagem com endereço do meu hostel. Por isso, depois de tomar o café, aproveitei minha meia hora diária para mandar o e-mail pra ela. Deu até medo, ela respondeu em menos de 5 minutos! 9 e 30 ela iria até o meu hostel e a gente iria sair Roma adentro. E foi exatamente isso que aconteceu. Pois quando desci novamente para a recepção, ela já estava lá dentro me esperando.

Eu não tinha feito nenhum tipo de planejamento e não tinha a menos idéia de onde ir. Uma coisa que sempre tem me ajudado são os mapas que todo hostel tem, com as ruas da cidade e os principais pontos a se visitar. Outra coisa que me ajudou muito foi saber que a Érica já tinha tudo planejado e eu só precisava seguí-la e ir tirando o máximo de fotos possível. Para aquele dia, a programação era básica: Vaticano.

Ah, antes que se pense besteira, a Érica tem namorado e não rolou nada entre a gente além de um puta conapnheirismo e amizade (teria sido uma merda sem ela).

O Vaticano ficava do outro lado do nosso mapa do hostel. Por isso, tomamos o metrô para aproveitarmos o máximo de tempo possível. O metrô de Roma é o pior metrô que já utilizei na minha vida. Além de ter menos linhas que o de São Paulo (apenas duas), ele também é muito sujo.De tudo o que vi até agora, prefiro o de Atenas e o de São Paulo. Fomos de metrô até a estação Otaviano e lá descemos. Não preciso dizer que o Vaticano é um lugar majestoso, pois seria redundante. Lá há duas opções de passeio: a basílica de São Pedro (com a praça, a cúpula e a Pietá) e o museu do Vaticano (com a Capela Sistina). Fomos primeiro para a basílica e pegamos uma fila gigantesca (mas rápida) para entrar. Lá dentro, você tem a opção de subir para a cúpula ou de visitar a basílica e os túmulos dos papas mortos (Papa Defunto?).

Fomos ver os defuntos e o queixo começou a cair. Os túmulos dos papas são lindos e o do João Paulo II é um dos melhores (e mais simples – pena que não deixam tirar foto). Existe também o túmulo de São Pedro (na verdade é uma puta sala gigantesca, absurdamente decorada e fechada para o público), mas é bem bodo quem acredita que tem algo dele lá. Para quem não sabe, São Pedro foi o primeiro Papa da igreja Católica. Depois subimos para a o andar térreo da basílica e continuamos a ver alguns túmulos. Há três papas lá com o cadaver exposto. É uma coisa meio bizarra de se ver pois mais parece uma estátua do que outra coisa. Segundo os seguranças, eles apenas colocam uma camada de cera sobre o corpo e é assim que ele fica. O mais perfeito dos três é o Papa João XXIII. Depois de lá saímos para visitar a cúpula.

Há dois preços: 5€ e 7€. O primeiro é para o pessoal que sobe apenas de escada e o segundo é pra quem vai primeiro de elevador e segue metade de escada. Apenas que é bem besta vai de elevador. No total são mais de 500 degraus, mas os primeiros, aqueles que o pessoal do elevador ignora, são muito fáceis de subir. Depois deles é que o bicho pega. E lá, meu nego, não tem elevador. A vista lá de cima é bem legal, mas o que compensa mesmo é a lojinha que tem no meio do caminho, num páteo. Depois da cúpula, fomos para o museu.

Se existe uma boa sacada foi a de criar este museu. Todo mundo que visita o Vaticano quer, é claro, ver a Capela Sistina (ou Capela dos Dedinhos, como apelidamos carinhosmente). O problema é que ela fica lá no meio de um monte de outras salas. Por causa disso, fizeram o museu, cobram 14€ para os bestas entrarem e darem meia hora de volta até chegar à capela. A parte boa é que o museu é realmente lindo (apesar de ter muita arte roubada também). Ficamos um pouco desapontados com as salas de Rafael, mas os dedinhos são realmente legais. Olha só, eu vi a Monalisa, do Leonardo, os Dedinhos do Michelangelo e as salas do Rafael. Só faltou o Donatello e eu tinha todos as Tartarugas Ninja!

Depois do museu, seguimos para um restaurantezinho e pedimos espaguete a bolonhesa. Veio talharine e uma porção bem pequena. Nem comento… 7€ com a coca.

Pegamos o metrô novamente e fomos até a Fontana di Trevi e lá tomamos meu primeiro gelato (sorvete) italiano. Já era noite a as luzes estavam acessas. O cenário era realmente lindo e eu percebi que Roma havia conquistado o meu coração. Fui até a fonte, fiz um pedido, virei de costas e joguei uma moeda.

Voltamos andando e chegamos nos hostels (ficam a uma rua de distância um do outro) e nos despedimos. Quando abri a porta do meu hostel (Alessandro Palace, caso eu não tenha dito anteriormente) levei um susto pois a Tais estava na minha frente. A gente tinha combinado de sair e eu achei que ela já estaria longe naquele horário. Ela estava tensa e nervosa. Haviam acontecido coisas ruins com ela por causa de cartões de crédito, dinheiro e esses problemas comuns em viagens e ela estava indo para a Termini (estação central do lado do hostel) comprar uma passagem. Fui com ela, o que a acalmou um pouco. Viajar é uma experiência maravilhosa, mas muito estressante também. Nunca se sabe ao certo o que esperar e o que pode dar certo ou não. É uma eterna angústia se você não aprender a lidar com todos os imprevistos e a melhor forma pra isso é viajando mesmo.

Depois voltamos para o hostel e ficamos no barzinho bebendo e conversando um pouco.

Atenas pt2 – Atena Exclamation!

novembro 1st, 2009
European ICE Tour 2009 Dia 22 – Roma

Último dia em Roma e acabei de descobrire que o primeiro post não tinha sido publicado corretamente (valeeeeeu mã…). Isso corrigido, vamos para o final da minha saga de Atenas. Ah, já aproveito para dizer que Roma é o lugar mais lindo que já visitei em toda a minha vida e que estou completamente apaixonado pela cidade.

Bença mãaaa

(28.10.2009)

Eu tinha colocado o celular para despertar as 8, mas mudei de idéia e coloquei para as 9. Quando ele despertou, ainda fiz um pouco de hora na cama e levantei meia hora depois. Tomei um banho (e depois a Janka acordou e fez o mesmo) e saí. Eu estava meio preocupado pois dia 28 de Outubro é feriado nacional da Grécia. Pelo que li, é o Dia do Não. É um dia que comemora a tentativa de invasão grega por Mussolini em 1940. Invasão frustrada graças ao exército grego, o excesso de confiança de Mussolini e a ajuda britânica. Por causa do feriado, Kristo me avisou que a maioria das lojas estaria fechada e que a Acrópolis fecharia as 3. Peguei o papel que ele tinha impresso e saí atrás de uma xerox. Isso porque ele tinha tido problemas e conseguira imprimir apenas num tamanho pequeno o que eu havia pedido (eu vi que ele usou o Word Online pra isso – não foi por mancada dele). No papel estava escrito Neta, venha para Grécia (Atenas), em grego. Fiz isso pois ela havia pedido uma foto com o nome dela na frente de alguma coisa grega e decidi fazer algo mais legal. No final das contas, não achei nenhuma xerox aberta. Mas então tive uma idéia: Henrique! Se ele segurasse o papel, ficaria bem mais legal. E foi isso que fiz quando subi a Acrópole. O Partenom é lindo, mas está passando por reformas e isso é um saco. O resto da acrópole é linda, principalmente o teotro de Dionísio, onde fiquei sentado por uma meia hora, só curtindo o lugar. Em certo momento, uma guia do local me viu tirando fotos com o Henrique e pediu para eu deletar a foto. Disse que somente pessoas poderiam aparecer nas fotos. Acho que ela estava pensando que eu estava zombando a Grécia (afinal, o Henrique é um rato de plástico, né?).

Depois da acrópole decidi seguir pelos caminhos que estavam além do meu mapa do centro de Atenas (já tava me achando o ateninense, não?). Segui por mais algumas ruínas e depois acabei chegando ao Estádio Olímpico (ou um deles, sei lá). O lugar parecia bem antigo e sido projetado para provas de corrida. Talvez fosse onde começasse e terminasse a maratona. Não sei dizer. Depois disso continuei andando e acabei encontrando um cemitério (sim… de novo).

Uma coisa que aconteceu muito na Grécia foi que, por eu estar andando sozinho, comecei a me guiar puramente por intuição. Eu sabia por cima os lugares que queria ir, e sabia chegar neles. Mas, quando eu andava sem destino, eu me guiava pela sensação que eu tinha ao pensar em virar tal rua, ou subir tal ladeira. Isso conteceu até no Museu Arqueológico, quando eu sabia do que tirar ou nao tirar fotos. E foi dessa forma que eu decidi não subir uma rua e fui para em outra, onde havia um cemitério. Aliás, deixe-me corrigir: onde havia o cemitério mais bonito que eu já vi em toda a minha vida.

O que realmente impressiona logo de cara é que quase todos os túmulos são feitos de mármore e grande parte deles possui esculturas com os bustos ou o corpo inteiro do falecido. E não se trata de um cemitério antigo. Lá há pessoas interradas em 2008, 2009. E nem por isso seus túmulos são menores. Fiquei realmente embasbacado com a beleza do lugar.

Depois disso reaolvi voltar para casa e me guiei pelo Partenom. Quando cheguei bem próximo, parei e comi um sanduíche em uma lojinha chamada Everest. Eles tem um conceito bem legal onde você monta seu sanduíche do jeito que quer, sendo que cada ingrediente tem seu preço em cardápios separados (pães, queijos, carnes, molhos…). Comi alí na rua mesmo (com o suco ficou em uns 6€) e decidi voltar andando para o hostel (eu estava ao lado da estação Acrópolis do metrô).

Eu poderia seguir um caminho conhecido, mas não o fiz. Em vez disso saí me lançando por ruazinhas bem bonitas e diferentes (algo que costumo fazer em São Paulo também). Encontrei umas pixações bem inteligentes em alguns muros e quando dou por mim não estou mais na rua, mas sim subindo por um caminho de terra em um parque cheio de trevos.

Comecei a subir e a subir e quando dou por mim já estou no alto de um morro bem bonito com alguns trechos de ruínas e um monumento. No caminho, algo muito engraçado aconteceu: fui abordado por duas senhoras que começaram a falar e eu nao entendi nada (tá falando grego?). Então uma deles me mostra uma revistinha: “A Sentinela” em grego e percebo que são Testemunhas de Geová. Expliquei que não falava grego, agradeci e saí. Foi realmente engraçado.

Eu não sei se já disse isso aqui, pois realmente não lembro tudo o que escrevo e não tenho feito nenhum tipo de revisão (Sério Mário!?), mas o povo grego realmente achou que eu fosse um deles. Por diversas vezes fui parado nas ruas por pessoas pedindo informações em grego e eles pareciam realmente espantados quando eu respondia que não falava grego. Atenas é a minha São Paulo do outro lado do oceano.

Nas andanças acabei achando mais uma porção de lugares bacanas como uma capela comemorativa de um santo lá (que esqueci o nome, mas que tem uma história bem legal) e um observatório. Depois disso resolvi voltar para o hostel. Porém, como eu sabia que era a minha última tarde em Atenas, decidi parar um pouco em uma rua do centro e fiquei por lá por uns 40 minutos, só curtindo o momento.

Voltei para o albergue um pouco com fome. Subi, arrumei minhas coisas e desci. Kristo, o salvador, estava na recepção e eu perguntei se havia algum lugar para eu comer naquela hora. Ele disse que era claro que havia e me falou sobre um lugar que tinha uma comida tal (ele falou o nome, mas eu não entendi), que era mega famora na Grécia e super deliciosa. Eu continuei sem entender. Por isso, ele trouxe um folheto do local e me mostrou o que era, e adivinhem: era churrasco grego! Eu não acreditei quando vi e fui direto para o lugar. O restaurante era hiper limpo e organizado e lá eu comi meu primeiro churrasco grego. A comida era deliciosa, eles colocavam os pedaços de carne num pão sirio (pitta bread, como disse o Kristo), com cebola roxa, batata frita e um tempero muito bom. Comi e me lambuzei! Depois quando voltei, agradeci imensamente Kristo pela dica e voltei para o quarto. O resto da noite eu passei na internet com o pessoal. O russo e o Juan fizeram o mesmo.

De manhã eu levantei, tomei um banho (e adivinhem, a Janka fez o mesmo minutos depois). Arrumei minhas coisas, me despedi da Janka (que virou uma grande amiga para mim), comi um pouco de um rocambole que havia comprado antes e parti para o aeroporto.

Atenas é tão igual São Paulo, que tive que sair do trem que ia para o aeroporto umas duas vezes porque estavam recolhendo o trem para voltar pela outra via (como fazem na Ana Rosa para otimizar o percursso). Quando cheguei no aeroporto estava tudo muito vazio e tranquilo. Esperei dar a hora do meu check in e comi um misto quente e bebi uma garrafinha de água (1€50 tudo) e fiz toda a papagaiada para entrar na sala de espera. No final, foi bom eu não ter comido apenas o misto pois o vôo que eu estava pegando era o primeiro, ou um dos, de Atenas para Roma pela Easyjet e tanto a companhia quanto o aeroporto estavam comemorando isso. Por isso, fomos convidados para um comes e bebes muito bom, com diversos canapés e lanchinhos, sucos, refrigerantes e doces. Comi um bocado e voltei para o meu lugar, onde eu escrevi a primeira parte das minhas memórias sobre Atenas.

Quando tentei publicar a primeira parte do texto, minha internet gratuíta de 45 minutos no aeroporto acabou. Foi então que fiquei caçando algo para fazer e vi um rapaz lendo um livro do Michael Moorcock em alguma língua estranha. Desfarcei, rodeei e acabei perguntando em inglês que livro era. Ele me respondeu que era o primeiro do Elric e me disse que estava em francês. Então me perguntou de onde eu era e eu disse Brasil. Ele respondeu, ainda em inglês, que ele também era brasileiro. Mudamos para o português e continuamos a conversar sobre Moorcock. Ele então virou para uma menina próxima a gente e perguntou: Você também é brasileira? E ela disse que sim. Logo depois um casal também se brasileiros se juntou a nós. Éramos 5 brasileiros tomando o mesmo vôo de Atenas para Roma. Qual era a probabilidade?

Atenas (pt1) – Me dê sua força Pegasus! (consertado)

outubro 29th, 2009
European ICE Tour 2009 Dia 19 – Atenas

Estou no aeroporto de Atenas e minha estadia aqui na Grécia está para acabar em menos de duas horas. Hoje dormirei em Roma e já sei que o Hostel que ficarei lá tem Wireless apenas por 30 minutos grátis por dia. Por isso, aproveitei ontem e já carreguei algumas fotos de Atenas para o post de agora. Bem, mas não vamos mais perder tempo e vamos ao que interessa: Atenas!

Antes de começar com os fatos, quero apresentar os personagens desta peça grega. Por eu estar sozinho, a convivência com as outras pessoas foi muito importante e confesso que vou sentir bastante falta de alguns deles. Mas, vamos lá:

Kristo: Um dos três atendentes do hostel, provavelmente o dono. Ele foi uma das pessoas mais simpáticas e atenciosas que conheci no mundo. Se não fosse por ele, eu teria odiado minha estadia. Sempre disposto a ajudar, o nome faz juz a pessoa.

Emily: Uma australiana gordelícia que odeia Atenas. Ela estava louca para arrumar um outro lugar para ficar e conseguiu. Gente boa, mas não adicionou muito a minha vida.

Janka (lê-se Ianca): Uma húngara que namora um grego e está no hostel enquanto procura emprego. Menina super amigável e uma das pessoas com quem eu mais me dei. Gente simples e meio confusa. Uma irmã, eu diria.

Juan: Um argentino que dá aula de esqui e logo se mudará para os Estados Unidos. Acredito que por isso ele está vivendo em outro fuso horário pois passa a maior parte do tempo dormindo e só acorda para fumar. De madrugada fica no notebook em uma área vazia ao lado do quarto.

Olivier: Um navegador francês que trabalha fazendo transporte de pequenas cargas. Tem um barco próprio, mas as vezes usa outros. Já atravessou oceanos com seu barco.

Iris: A filha de 6 anos de Olivier. Uma graça, como toda criança.

Bianca: Uma romena que estava somente de passagem. Ficamos bastante amigos, mas acho que rolaria algo a mais.

(26.10.2009)

Desci no aeroporto com a expectativa de encontrar a maior chuva desde o dilúvio, mas somente vi garoa. Se na França eles não carimbaram meu passaporte (como já havia avisado a Mara), na Grécia não havia ninguém nem para nos recepcionar. Bem, problema deles, né? Segui para o balcão de informações e pedi ajuda para seguir o roteiro que havia recebido do hostel para chegar lá. Para minha alegria, o metrô havia avançado e tudo era bem mais fácil.

Como eu falo do metrô de todo lugar que eu visito, o metrô de Atenas é bem legal. Apenas 3 linhas, mas muito limpo. A passagem do aeroporto custa 6€, mas na cidade, para as principais estações, custa 1€ para 90 minutos livres e 3€ para 24horas. Não existem catracas, mas há lugares para validar o bilhete. Se for pego sem um bilhete válido, você paga multa de 60 vezes o valor da passagem.

Outra coisa que preciso dizer é que desde quando planejei a viagem, sentia que Atenas seria o lugar que eu me sentiria mais em casa. Pra falar a verdade, tirando as Ruínas, achei Atenas muito parecida com São Paulo. Quando saí do metrô, vi logo ruas feias, meio sujas, gente de todo o tipo, lojinhas meio velhas e basicamente tudo o que se pode encontrar no centrão de São Paulo numa segunda feira à tarde. Achar o hostel foi fácil, mas eu estava meio assustado, o que fez a experiência ser um pouco mais complicada do que deveria. Cheguei no albergue, deixei as malas e fui até um mercado, para garantir a janta e o café do dia seguinte.

Vou fazer a piada uma única vez: TODO MUNDO FALA GREGO POR AQUI! E o mercadinho era uma bosta comparado com os Monoprix e Sansbury que eu havia encontrado nos outros países. Achei tudo muito caro e comprei um pão de forma, queijo, presunto, um pacote de bolacha e outro de bolachas com chocolate em cima (que são deliciosas e custam uma fortuna no Brasil). Voltei para o hostel, subi para o quarto e conheci a Emily, com quem fiquei conversando.

Se eu já tava meio desanimado no momento, ela ajudou a piorar tudo de vez. Ela me desanimou de tal forma sobre Atenas, as pessoas, o clima e tudo o mais que isso me derrubou. Eu estava finalmente sozinho e tudo o que eu pensava era em poder voltar para casa, em ficar com meus amigos e com a minha mãe. A Emily desceu e eu fui junto, para comer alguma coisa. Foi então que conheci a Janka e não jantamos juntos (dois mistos frios – se é que isso é janta). Depois fiquei um pouco no computador no quarto, até que a bateria acabou. Daí desci para ligá-lo em uma tomada e conheci o Olivier. Conversamos bastante e ele me contou bilhares de coisas sobre viajar de barco, e manhas sobre o que levar, como cozinhar, técnicas para o aproveitamento da água e depois me mostrou um site com mapas das previsões de vento e me explicou como funcionava tudo e me deixou realmente com mais vontade ainda de um dia largar tudo para ir navegar. Afinal, navegar é preciso…

Ainda meio desanimado, fui dormir.

(27.10.2009)

Choveu muito durante a madrugada, muito mesmo. Acordei cedo, mas todo o resto do pessoal estava dormindo (Juan, Janka e Emily). Depois de um certo tempo, me enjoei de ficar ali parado, peguei minhas coisas, tomei um banho e desci para comer. Logo em seguida, vi a Janka fazendo o mesmo.

Estava garoando quando eu desci. Comi meu misto frio com a maior dificuldade de toda a minha vida. Eu estava fraco, mas não tinha o menor apetite para aquela comida ruim e sem graça. Comi uma bolacha com chocolate em cima, mas mesmo assim a experiência não foi boa. Foi então que fui até a recepção e falei com Kristo sobre lavagem de roupa. Ele sacou um mini mapa, marcou onde ficava, me explicou os preços (paguei 7€50 por tudo) e também marcou diversos pontos turísticos no mapa. Agradeci e saí com minhas roupas para lavar.

Quando eu voltei, algo havia acontecido comigo: eu estava mais animado. Foi então que perguntei para Kristo onde é que eu poderia imprimir um negócio em grego que ele havia escrito para mim e ele disse para eu mandar para o seu e-mail, que ele imprimiria e me devolveria no final do dia. Agradeci novamente e saí para minha primeira psicogeografia de Atenas do dia.

Da mesma forma que São Paulo, Atenas tem lugares bem feios, mas todos são simpáticos. Mesmo assim, bem próximo dos lugares feios estão lugares muito bonitos, como monumentos e museus e coisas do tipo. Eu decidi ir até a Acrópole e segui meu caminho a pé. Durante a caminhada achei uma capelinha (ou igreja, sei lá). Entrei, acendi uma vela de 0,20€ por mim, meus amigos (principalmente o Rodolfo) e por minha família. No caminho até a Acrópole achei também um mercadão, tipo o municipal e várias outras coisas que me lembraram São Paulo. Mas isso, vocês podem ver nas fotos.

A primeira ruína que vi foi a Ágora Romana. Meio sem graça e para entrar tinha que pagar 2€. Tirei foto da grade mesmo e continuei andando. Como o Kristo não tinha ainda me entregado o papel que eu tinha pedido para imprimir, decidi que não iria subir até a Acrópole ainda. Em vez disso, fui até a Antiga Ágora, que custa 4€, mas que é bem legal. Lá tem até um templo bem ao estilo Cavaleiros do Zodíaco e eu tive que tirar uma foto lá. Na portaria, a garota do guiche me avisou que amanhã seria gratuíta a entrada na Acrópole. Melhor ainda, já que custa 12€ (apesar que o bilhete te dá direito a ver todas outras ruínas).

Já passava das duas da tarde e resolvi voltar para ver se Kristo já havia impresso o papel, mas ainda não. Então eu saí para mais uma volta. Desta vez passei pelo Parlamento e por diversas outras ruas principais que não havia passado ainda. Achei uns lugares maravilhosos e no final, quando começou a escurecer, cheguei no Museu Arqueológico de Atenas.

Aquele foi o primeiro museu que visitei todas as salas possíveis. Como havia me dito o Rodrigo, uma das pessoas que conheci em Paris, ver o Museu Arqueológico é mais importante até que ver o Louvre. Pois o Louvre é cheio de arte roubada do mundo inteiro, e o Museu de Atenas é cheio de arte grega. É a história do lugar onde você está.

Confesso que adorei o museu. A parte que me deixou triste foi ver que a maioria das esculturas está danificada e com partes faltando. Isso me deixou assim porque no Louvre estão todas as outras, as ainda intáctas: puta sacanagem! Minha escultura favorita foi uma de Pan tentando se dar bem com Afrodite e Eros, o anjinho, atrapalhando. Outra também maravilhosa é uma cabeça gigantesca de Zeus. Eu vi também um mecanismo mega antigo que é bem famoso, mas que agora esqueci. Bem, as fotos estão aí, é só ver. A mancada foi quando descobri o pavilhão egípcio. Poxa, eu todo triste pelo que os franceses fizeram com a arte grega e descubro que eles fizeram o mesmo com os egípcios! O legal foi tirar uma foto de uma múmia-gato!

Depois disso voltei para o hostel e lá conheci a Bianca. O Kristo me trouxe a impressão e eu achei que o meu dia ia acabar alí. Ficamos conversando um pouco e chegou o russo Andri (ou algo do tipo). A conversa descambou para dinheiro de outros países e cada um começou a tirar moedas e cédulas. Consegui algumas para o meu pai.

A Janka tinha me chamado para uma balada que ia rolar com um DJ famoso, mas estava muito caro. Ela então atendeu o telefone e era o namorado dela dizendo que o carro tinha sido roubado. Ficamos tristes, mas logo depois ela deu a idéia da gente ir até a Acrópole, para ter a vista noturna. Concordamos e logo em seguida o namorado dela ligou dizendo que estava na portaria. Depois de algum tempo, ela voltou dizendo que ele não ia para a Acrópole e nós (eu, ela e a Bianca) fomos.

No caminho nós demos alguns conselhos para a Janka, que estava meio perdida com a história do namorado dela. No final, tudo deu certo. Relacionamentos são iguais, não importa o país ou o idioma.

A Acrópole a noite é linda, mas as fotos que tiramos, não. Depois fomos dar uma volta e encontramos uma rua lotada de gente. No dia seguinte era feriado nacional na Grécia (por isso a Acrópole era grátis) e toda juventude tinha saído para comemorar. Demos uns passeios, tomamos umas cervejas (achei uma chamada Kaiser, que é melhor que a nacional). Ficamos falando besteira (e eu fazendo piadas muito ruins com o país da Janka, Hungria – em inglês Hungary, mas se lê Hungry, que é faminto) e depois voltamos para o albergue.

Eu e a Bianca tinhamos nos dado realmente bem, mas eu não queria que nada rolasse. Acho que foi legal ter um romance platônico na Grécia. Quando acordei, no dia seguinte, havia um imã do Partenom em cima da minha mala. Perguntei e não era de ninguém. A Bianca tinha ido embora naquela manhã, antes d’eu acordar.