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Roma pt2 – O Coliseu e a Igreja de Jesus

quarta-feira, novembro 4th, 2009
European ICE Tour 2009 Dia 26 – Madri

Estou em Madri e meus planos de manter este blog atualizado estão cada vez mais vagabundos. Pensei que não iria fazer nada aqui além de dormir e ver a Mariana, mas é impossível ficar parado quando se tem uma cidade tão linda quanto esta. Aqui se come muito bem com muito pouco, o que explica muito a necessidade da siesta. Mas, bem, não estou aqui para falar da Madri ainda. Por isso, vamos ao segundo dia de Roma. Se tudo der certo, coloco o terceiro dia ainda hoje e escrevo sobre Madri quando estiver em Londres.

(31.10.2009)

Halloween! Mas pra mim foi como se não fosse. Não que o dia 31 de outubro tenha sido um dia ruim, mas foi tanta coisa que aconteceu que eu nem me importei que era dia das bruxas.

Acordei, tomei meu banho e desci para tomar café. Fui buscar um suco na máquina e vi que um cara estava tendo dificuldades para se entender com ela (como eu tivera no dia anterior). Expliquei como funcionava e ele agradeceu e logo na voz eu percebi: brasileiro. Perguntei de onde ele era e confirmei. Seu nome é Cléber e ele também é paulista. Tomamos café juntos e logo a Érica chegou. A Taís também apareceu e se despediu da gente: ela estav a de partida para Firenze.

Eu e a Érica mostramos nossos planos para o Cléber (o que quer dizer: a Érica mostrou os planos para ele, já que eu não tinha a mínima idéia do que fazer) e ele decidiu ir conosco. Três paulistanos em Roma com um destino: O Coliseu.

Antes disso passamos pela Santa Maria Maggiore e depois na San Pietro di Vincoli. As duas são lindas, sendo a primeira linda de fachada e a segunda famosa por duas coisas: o Moisés de Michelangelo e as correntes que prenderam Pedro quando ele foi trazido para Roma. Uma coisa engraçada sobre Roma é que nem todas as igrejas tem uma fachada maravilhosa (que é o caso da San Pietro), mas quando você entra nelas, o queixo sempre cai. Depois das duas igrejas, chegamos no Coliseu.

Como disse bem a Érica, há vários lugares que você sonha em visitar desde que é criança e quando você se vê de frente com eles, não consegue acreditar. O Coliseu foi um desses lugares para nós. Ele surge no meio do nada, com ruas passando ao seu lado e a vida seguindo como se não houvesse nada de mais alí. Mas você sabe que não é bem assim. Confesso que não foi o lugar que mais gostei em Roma, mas foi o que mais aguardava ver e ter ido visitá-lo foi uma puta conquista para mim.

Havia uma fila gigante para entrar. E fila em italiano significa confusão. Se existe gente confusa e mal organizada é a gente da Itália. Entramos e fomos ver um pouco da exposição e quando damos por nós, nos perdemos do Cléber. Eu e a Érica começamos a procurar por ele e foi então que encontramos o Alexandre (o brasileiro lendo Elric no aeroporto de Atenas, lembra?). Ele estava lá fazendo uma visita guiada e disse pra gente seguir com ele. Agradecemos, mas achamos melhor não. Chamamos ele pra sair mais a tarde, mas ele não sabia ao certo o que ia fazer e deixamos quieto. Logo depois, encontramos o Cleber. Andamos um pouco e encontramos o Alexandre novamente no Coliseu. A visita dele havia acabado, mas logo começaria outra pelas ruínas da Roma Antiga (meio redundante, eu sei), que ficam ao lado do Coliseu. Passamos mais um tempo juntos e ele foi para o resto de sua visita e fomos visitar as ruínas por nós mesmos.

Vimos diversas coisas, mas como tudo está bem detonado, não consegui distinguir uma da outra. Sem falar que, após Atenas, eu não ia achar graça em ruína nenhuma do mundo, não? Chegamos a encontrar o Alexandre mais uma vez, depois do final da segunda visita dele e ele nos seguiu até nosso próximo destino, La Boca de la Veritá, que é uma escultura de um rosto que, segundo a lenda, morde a mão de quem conta uma mentira. A boca fica na igreja de Santa Maria Cosmedin, e quem teve infância nos anos 80 se lembra que tinha uma igual no Playcenter. Enquanto esperávamos na fila, Cody e a Shea passaram no ônibus de turismo e nos cumprimentamos. Na igreja de Santa Maria Cosmedin não há nada para se ver além dos ossos de São Valentim. Cara, esse pessoal da itália gosta de umas coisas bizarras, não?

Depois disso fomos ao Vittoriano (um monumento à Vittorio Emanuele II), que é imenso e lindo. Lá procuramos um lugar para comer e depois vagamos um pouco pela região e decidimos entrar em uma igreja só pra ver como era. O nome era algo como Igreja de Jesus e o que vimos dentro nos impressionou absurdos: todas as pinturas eram como se saíssem dos tetos e invadissem os adornos das paredes. Algo muito louco, tipo 3d. A Érica já havia nos dito sobre a igreja de Santo Inácio de Loyola que tem pinturas parecidas, mas só iríamos conhecê-la no dia seguinte. Uma coisa bem interessante da Igreja de Jesus é que ela tem uma imagem de Inácio de Loyola toda cheia de frescuras e, quando encerra o horário de visitação da igreja, eles apertam um botão e desce uma pintura para cobrir a imagem. Outra coisa é que lá eles tem uma relíquia que é um braço de um padre ou santo qualquer.

Depois voltamos para o Vittoriano e de lá subimos para uma praça (que não me recordo o nome) cujo projeto foi feito por Michelangelo (aliás, o cara é o mano de Roma, hein?) e depois disso, já muito cansados, voltamos para o hostel. Naquela noite me despedi do Cody e da Shea, pois iam embora na manhã seguinte.

Roma pt1 – Vaticano e Fontana di Trevi

terça-feira, novembro 3rd, 2009

Adivinhem só: mais um aeroporto e mais um texto atrasado sobre tudo o que aconteceu nos últimos dias. Estou prestes a embarcar para Madri, mas tenho uma hora ainda. Estou cansado pra caramba e não estou com a menor vontade de visitar nenhum lugar. Olha só: eu já vi o Big Ben, a Torre Eiffel, o Partenom, o Coliseu e o Vaticano… Dá pra descansar agora, não? Sem falar que o principal motivo de ir para Madri é encontrar a Mariana e botar toda a fofoca em dia. Mas vamos lá, enquanto eu ainda tenho pique, tentar falar um pouco sobre essa cidade que me deixou completamente apaixonado: Roma.

(29.10.2009)

O nome do menino lendo Moorcock é Alexandre e da menina que se juntou a gente é Érica. Ambos são paulistanos, mas ele está morando em Paris devido aos estudos. Não lembro o nome do casal, mas ela é gaucha e ele carioca. Moram em Londres, mas ela quer voltar.

Chegamos em Roma e a primeira coisa que fizemos foi procurar o trem para a Termini, a estação central de trem, pois o hostel meu e o da Érica ficam perto dela. Os outros três estavam sem hostel ainda. O Alexandre estava todo empolgado para ver logo o Coliseu. Por isso ele não foi conosco para a Termini. Quando chegamos lá, o casal decidiu seguir a Érica para ver o hostel dela. Eu fui para o meu. Eu e a Érica trocamos e-mails e combinamos de nos encontrar no dia seguinte para camelar por Roma. O hostel onde fiquei era maravilhoso comparado aos outros (e beeeem mais caro, 35€ por noite). Quando entrei na recepção, encontrei a Tais, lá de Paris. NOs cumprimentamos e ela disse que queria sair naquela noite. Eu disse que precisava de um sabonente. Peguei a chave, subi para o meu quarto e não encontrei ninguém lá, mas havia uma mala próxima a uma das camas. Desci, fui até uma farmácia, voltei, e quando cheguei novamente no quarto, conheci um casal de irmãos canadenses (Cody e Shea) muito legais. Ela está estudando psicologia na Espanha e ele veio visitá-la e estão fazendo este passeio pela Europa. Desci para o bar do Hostel para encontrar a Taís e ficamos lá conversando. Juntou-se uma outra brasileira (que não sei o nome), uma Russa (Katzerina – ou Katza, como ela mesmo dizia), os irmãos canadenses e um carioca que está estudando em Paris. Ou seja, 7 pessoas das quais 4 eram brasileiras. Em Roma há brasileiros por toda a parte. É como a Érica apontou no dia seguinte: Roma é a segunda casa do brasileiro. Pouco depois, fui dormir.

(30.10.2009)

Acordei diversas vezes durante a noite. Quando deu umas 8 da manhã, tomei um banho, me troquei e desci para o café da manhã. Não havia muita opção, mas era um banquete absurdo em relação ao hostel de Paris. Não sei se eu havia contado, mas em Roma, eutinha apenas 30 minutos de internet grátis por dia. Por causa disso, no dia anterior, combinando a camelada do dia seguinte com a Érica por e-mail, não consegui enviar a mensagem com endereço do meu hostel. Por isso, depois de tomar o café, aproveitei minha meia hora diária para mandar o e-mail pra ela. Deu até medo, ela respondeu em menos de 5 minutos! 9 e 30 ela iria até o meu hostel e a gente iria sair Roma adentro. E foi exatamente isso que aconteceu. Pois quando desci novamente para a recepção, ela já estava lá dentro me esperando.

Eu não tinha feito nenhum tipo de planejamento e não tinha a menos idéia de onde ir. Uma coisa que sempre tem me ajudado são os mapas que todo hostel tem, com as ruas da cidade e os principais pontos a se visitar. Outra coisa que me ajudou muito foi saber que a Érica já tinha tudo planejado e eu só precisava seguí-la e ir tirando o máximo de fotos possível. Para aquele dia, a programação era básica: Vaticano.

Ah, antes que se pense besteira, a Érica tem namorado e não rolou nada entre a gente além de um puta conapnheirismo e amizade (teria sido uma merda sem ela).

O Vaticano ficava do outro lado do nosso mapa do hostel. Por isso, tomamos o metrô para aproveitarmos o máximo de tempo possível. O metrô de Roma é o pior metrô que já utilizei na minha vida. Além de ter menos linhas que o de São Paulo (apenas duas), ele também é muito sujo.De tudo o que vi até agora, prefiro o de Atenas e o de São Paulo. Fomos de metrô até a estação Otaviano e lá descemos. Não preciso dizer que o Vaticano é um lugar majestoso, pois seria redundante. Lá há duas opções de passeio: a basílica de São Pedro (com a praça, a cúpula e a Pietá) e o museu do Vaticano (com a Capela Sistina). Fomos primeiro para a basílica e pegamos uma fila gigantesca (mas rápida) para entrar. Lá dentro, você tem a opção de subir para a cúpula ou de visitar a basílica e os túmulos dos papas mortos (Papa Defunto?).

Fomos ver os defuntos e o queixo começou a cair. Os túmulos dos papas são lindos e o do João Paulo II é um dos melhores (e mais simples – pena que não deixam tirar foto). Existe também o túmulo de São Pedro (na verdade é uma puta sala gigantesca, absurdamente decorada e fechada para o público), mas é bem bodo quem acredita que tem algo dele lá. Para quem não sabe, São Pedro foi o primeiro Papa da igreja Católica. Depois subimos para a o andar térreo da basílica e continuamos a ver alguns túmulos. Há três papas lá com o cadaver exposto. É uma coisa meio bizarra de se ver pois mais parece uma estátua do que outra coisa. Segundo os seguranças, eles apenas colocam uma camada de cera sobre o corpo e é assim que ele fica. O mais perfeito dos três é o Papa João XXIII. Depois de lá saímos para visitar a cúpula.

Há dois preços: 5€ e 7€. O primeiro é para o pessoal que sobe apenas de escada e o segundo é pra quem vai primeiro de elevador e segue metade de escada. Apenas que é bem besta vai de elevador. No total são mais de 500 degraus, mas os primeiros, aqueles que o pessoal do elevador ignora, são muito fáceis de subir. Depois deles é que o bicho pega. E lá, meu nego, não tem elevador. A vista lá de cima é bem legal, mas o que compensa mesmo é a lojinha que tem no meio do caminho, num páteo. Depois da cúpula, fomos para o museu.

Se existe uma boa sacada foi a de criar este museu. Todo mundo que visita o Vaticano quer, é claro, ver a Capela Sistina (ou Capela dos Dedinhos, como apelidamos carinhosmente). O problema é que ela fica lá no meio de um monte de outras salas. Por causa disso, fizeram o museu, cobram 14€ para os bestas entrarem e darem meia hora de volta até chegar à capela. A parte boa é que o museu é realmente lindo (apesar de ter muita arte roubada também). Ficamos um pouco desapontados com as salas de Rafael, mas os dedinhos são realmente legais. Olha só, eu vi a Monalisa, do Leonardo, os Dedinhos do Michelangelo e as salas do Rafael. Só faltou o Donatello e eu tinha todos as Tartarugas Ninja!

Depois do museu, seguimos para um restaurantezinho e pedimos espaguete a bolonhesa. Veio talharine e uma porção bem pequena. Nem comento… 7€ com a coca.

Pegamos o metrô novamente e fomos até a Fontana di Trevi e lá tomamos meu primeiro gelato (sorvete) italiano. Já era noite a as luzes estavam acessas. O cenário era realmente lindo e eu percebi que Roma havia conquistado o meu coração. Fui até a fonte, fiz um pedido, virei de costas e joguei uma moeda.

Voltamos andando e chegamos nos hostels (ficam a uma rua de distância um do outro) e nos despedimos. Quando abri a porta do meu hostel (Alessandro Palace, caso eu não tenha dito anteriormente) levei um susto pois a Tais estava na minha frente. A gente tinha combinado de sair e eu achei que ela já estaria longe naquele horário. Ela estava tensa e nervosa. Haviam acontecido coisas ruins com ela por causa de cartões de crédito, dinheiro e esses problemas comuns em viagens e ela estava indo para a Termini (estação central do lado do hostel) comprar uma passagem. Fui com ela, o que a acalmou um pouco. Viajar é uma experiência maravilhosa, mas muito estressante também. Nunca se sabe ao certo o que esperar e o que pode dar certo ou não. É uma eterna angústia se você não aprender a lidar com todos os imprevistos e a melhor forma pra isso é viajando mesmo.

Depois voltamos para o hostel e ficamos no barzinho bebendo e conversando um pouco.

Atenas (pt1) – Me dê sua força Pegasus! (consertado)

quinta-feira, outubro 29th, 2009
European ICE Tour 2009 Dia 19 – Atenas

Estou no aeroporto de Atenas e minha estadia aqui na Grécia está para acabar em menos de duas horas. Hoje dormirei em Roma e já sei que o Hostel que ficarei lá tem Wireless apenas por 30 minutos grátis por dia. Por isso, aproveitei ontem e já carreguei algumas fotos de Atenas para o post de agora. Bem, mas não vamos mais perder tempo e vamos ao que interessa: Atenas!

Antes de começar com os fatos, quero apresentar os personagens desta peça grega. Por eu estar sozinho, a convivência com as outras pessoas foi muito importante e confesso que vou sentir bastante falta de alguns deles. Mas, vamos lá:

Kristo: Um dos três atendentes do hostel, provavelmente o dono. Ele foi uma das pessoas mais simpáticas e atenciosas que conheci no mundo. Se não fosse por ele, eu teria odiado minha estadia. Sempre disposto a ajudar, o nome faz juz a pessoa.

Emily: Uma australiana gordelícia que odeia Atenas. Ela estava louca para arrumar um outro lugar para ficar e conseguiu. Gente boa, mas não adicionou muito a minha vida.

Janka (lê-se Ianca): Uma húngara que namora um grego e está no hostel enquanto procura emprego. Menina super amigável e uma das pessoas com quem eu mais me dei. Gente simples e meio confusa. Uma irmã, eu diria.

Juan: Um argentino que dá aula de esqui e logo se mudará para os Estados Unidos. Acredito que por isso ele está vivendo em outro fuso horário pois passa a maior parte do tempo dormindo e só acorda para fumar. De madrugada fica no notebook em uma área vazia ao lado do quarto.

Olivier: Um navegador francês que trabalha fazendo transporte de pequenas cargas. Tem um barco próprio, mas as vezes usa outros. Já atravessou oceanos com seu barco.

Iris: A filha de 6 anos de Olivier. Uma graça, como toda criança.

Bianca: Uma romena que estava somente de passagem. Ficamos bastante amigos, mas acho que rolaria algo a mais.

(26.10.2009)

Desci no aeroporto com a expectativa de encontrar a maior chuva desde o dilúvio, mas somente vi garoa. Se na França eles não carimbaram meu passaporte (como já havia avisado a Mara), na Grécia não havia ninguém nem para nos recepcionar. Bem, problema deles, né? Segui para o balcão de informações e pedi ajuda para seguir o roteiro que havia recebido do hostel para chegar lá. Para minha alegria, o metrô havia avançado e tudo era bem mais fácil.

Como eu falo do metrô de todo lugar que eu visito, o metrô de Atenas é bem legal. Apenas 3 linhas, mas muito limpo. A passagem do aeroporto custa 6€, mas na cidade, para as principais estações, custa 1€ para 90 minutos livres e 3€ para 24horas. Não existem catracas, mas há lugares para validar o bilhete. Se for pego sem um bilhete válido, você paga multa de 60 vezes o valor da passagem.

Outra coisa que preciso dizer é que desde quando planejei a viagem, sentia que Atenas seria o lugar que eu me sentiria mais em casa. Pra falar a verdade, tirando as Ruínas, achei Atenas muito parecida com São Paulo. Quando saí do metrô, vi logo ruas feias, meio sujas, gente de todo o tipo, lojinhas meio velhas e basicamente tudo o que se pode encontrar no centrão de São Paulo numa segunda feira à tarde. Achar o hostel foi fácil, mas eu estava meio assustado, o que fez a experiência ser um pouco mais complicada do que deveria. Cheguei no albergue, deixei as malas e fui até um mercado, para garantir a janta e o café do dia seguinte.

Vou fazer a piada uma única vez: TODO MUNDO FALA GREGO POR AQUI! E o mercadinho era uma bosta comparado com os Monoprix e Sansbury que eu havia encontrado nos outros países. Achei tudo muito caro e comprei um pão de forma, queijo, presunto, um pacote de bolacha e outro de bolachas com chocolate em cima (que são deliciosas e custam uma fortuna no Brasil). Voltei para o hostel, subi para o quarto e conheci a Emily, com quem fiquei conversando.

Se eu já tava meio desanimado no momento, ela ajudou a piorar tudo de vez. Ela me desanimou de tal forma sobre Atenas, as pessoas, o clima e tudo o mais que isso me derrubou. Eu estava finalmente sozinho e tudo o que eu pensava era em poder voltar para casa, em ficar com meus amigos e com a minha mãe. A Emily desceu e eu fui junto, para comer alguma coisa. Foi então que conheci a Janka e não jantamos juntos (dois mistos frios – se é que isso é janta). Depois fiquei um pouco no computador no quarto, até que a bateria acabou. Daí desci para ligá-lo em uma tomada e conheci o Olivier. Conversamos bastante e ele me contou bilhares de coisas sobre viajar de barco, e manhas sobre o que levar, como cozinhar, técnicas para o aproveitamento da água e depois me mostrou um site com mapas das previsões de vento e me explicou como funcionava tudo e me deixou realmente com mais vontade ainda de um dia largar tudo para ir navegar. Afinal, navegar é preciso…

Ainda meio desanimado, fui dormir.

(27.10.2009)

Choveu muito durante a madrugada, muito mesmo. Acordei cedo, mas todo o resto do pessoal estava dormindo (Juan, Janka e Emily). Depois de um certo tempo, me enjoei de ficar ali parado, peguei minhas coisas, tomei um banho e desci para comer. Logo em seguida, vi a Janka fazendo o mesmo.

Estava garoando quando eu desci. Comi meu misto frio com a maior dificuldade de toda a minha vida. Eu estava fraco, mas não tinha o menor apetite para aquela comida ruim e sem graça. Comi uma bolacha com chocolate em cima, mas mesmo assim a experiência não foi boa. Foi então que fui até a recepção e falei com Kristo sobre lavagem de roupa. Ele sacou um mini mapa, marcou onde ficava, me explicou os preços (paguei 7€50 por tudo) e também marcou diversos pontos turísticos no mapa. Agradeci e saí com minhas roupas para lavar.

Quando eu voltei, algo havia acontecido comigo: eu estava mais animado. Foi então que perguntei para Kristo onde é que eu poderia imprimir um negócio em grego que ele havia escrito para mim e ele disse para eu mandar para o seu e-mail, que ele imprimiria e me devolveria no final do dia. Agradeci novamente e saí para minha primeira psicogeografia de Atenas do dia.

Da mesma forma que São Paulo, Atenas tem lugares bem feios, mas todos são simpáticos. Mesmo assim, bem próximo dos lugares feios estão lugares muito bonitos, como monumentos e museus e coisas do tipo. Eu decidi ir até a Acrópole e segui meu caminho a pé. Durante a caminhada achei uma capelinha (ou igreja, sei lá). Entrei, acendi uma vela de 0,20€ por mim, meus amigos (principalmente o Rodolfo) e por minha família. No caminho até a Acrópole achei também um mercadão, tipo o municipal e várias outras coisas que me lembraram São Paulo. Mas isso, vocês podem ver nas fotos.

A primeira ruína que vi foi a Ágora Romana. Meio sem graça e para entrar tinha que pagar 2€. Tirei foto da grade mesmo e continuei andando. Como o Kristo não tinha ainda me entregado o papel que eu tinha pedido para imprimir, decidi que não iria subir até a Acrópole ainda. Em vez disso, fui até a Antiga Ágora, que custa 4€, mas que é bem legal. Lá tem até um templo bem ao estilo Cavaleiros do Zodíaco e eu tive que tirar uma foto lá. Na portaria, a garota do guiche me avisou que amanhã seria gratuíta a entrada na Acrópole. Melhor ainda, já que custa 12€ (apesar que o bilhete te dá direito a ver todas outras ruínas).

Já passava das duas da tarde e resolvi voltar para ver se Kristo já havia impresso o papel, mas ainda não. Então eu saí para mais uma volta. Desta vez passei pelo Parlamento e por diversas outras ruas principais que não havia passado ainda. Achei uns lugares maravilhosos e no final, quando começou a escurecer, cheguei no Museu Arqueológico de Atenas.

Aquele foi o primeiro museu que visitei todas as salas possíveis. Como havia me dito o Rodrigo, uma das pessoas que conheci em Paris, ver o Museu Arqueológico é mais importante até que ver o Louvre. Pois o Louvre é cheio de arte roubada do mundo inteiro, e o Museu de Atenas é cheio de arte grega. É a história do lugar onde você está.

Confesso que adorei o museu. A parte que me deixou triste foi ver que a maioria das esculturas está danificada e com partes faltando. Isso me deixou assim porque no Louvre estão todas as outras, as ainda intáctas: puta sacanagem! Minha escultura favorita foi uma de Pan tentando se dar bem com Afrodite e Eros, o anjinho, atrapalhando. Outra também maravilhosa é uma cabeça gigantesca de Zeus. Eu vi também um mecanismo mega antigo que é bem famoso, mas que agora esqueci. Bem, as fotos estão aí, é só ver. A mancada foi quando descobri o pavilhão egípcio. Poxa, eu todo triste pelo que os franceses fizeram com a arte grega e descubro que eles fizeram o mesmo com os egípcios! O legal foi tirar uma foto de uma múmia-gato!

Depois disso voltei para o hostel e lá conheci a Bianca. O Kristo me trouxe a impressão e eu achei que o meu dia ia acabar alí. Ficamos conversando um pouco e chegou o russo Andri (ou algo do tipo). A conversa descambou para dinheiro de outros países e cada um começou a tirar moedas e cédulas. Consegui algumas para o meu pai.

A Janka tinha me chamado para uma balada que ia rolar com um DJ famoso, mas estava muito caro. Ela então atendeu o telefone e era o namorado dela dizendo que o carro tinha sido roubado. Ficamos tristes, mas logo depois ela deu a idéia da gente ir até a Acrópole, para ter a vista noturna. Concordamos e logo em seguida o namorado dela ligou dizendo que estava na portaria. Depois de algum tempo, ela voltou dizendo que ele não ia para a Acrópole e nós (eu, ela e a Bianca) fomos.

No caminho nós demos alguns conselhos para a Janka, que estava meio perdida com a história do namorado dela. No final, tudo deu certo. Relacionamentos são iguais, não importa o país ou o idioma.

A Acrópole a noite é linda, mas as fotos que tiramos, não. Depois fomos dar uma volta e encontramos uma rua lotada de gente. No dia seguinte era feriado nacional na Grécia (por isso a Acrópole era grátis) e toda juventude tinha saído para comemorar. Demos uns passeios, tomamos umas cervejas (achei uma chamada Kaiser, que é melhor que a nacional). Ficamos falando besteira (e eu fazendo piadas muito ruins com o país da Janka, Hungria – em inglês Hungary, mas se lê Hungry, que é faminto) e depois voltamos para o albergue.

Eu e a Bianca tinhamos nos dado realmente bem, mas eu não queria que nada rolasse. Acho que foi legal ter um romance platônico na Grécia. Quando acordei, no dia seguinte, havia um imã do Partenom em cima da minha mala. Perguntei e não era de ninguém. A Bianca tinha ido embora naquela manhã, antes d’eu acordar.

Ressaca sem fim (Paris Express – pt 5 – final)

quarta-feira, outubro 28th, 2009

Paris (25.10.2009) – Ressaca sem fim

Acordei podre. Nosso colega de quarto havia sido um japa, mas eu não o vi de manhã. Os meninos estavam correndo pois tinham que tomar o trem para Lyon. Eu fiquei deitado podrão, mas logo eles tinham que sair e eu fui com eles.

Houve uma tremenda confusão na estaçãO de trem para pegar os tiquetes. Achar o guiche correto estava sendo um inferno e os meninos começaram a achar que iam perder o trem. Por pura sincronicidade (a coincidência foi cancelada), naquela noite havia encerrado o horário de verão em Paris. Isso significava que eles estavam uma hora adiantados o que permitiu que pegassem o bilhete e embarcassem sem problemas. Enquanto esperávamos o trem, dormi no ombro do Rodolfo.

Eles se despediram, foram para Lyon e eu fui para o Mc Donalds, pois lá há Wireless de graça (pois em Paris, até na Starbucks tem que pagar para usar a internet). Lá eu pedi uma salada e fiquei enrolando até umas 2 da tarde, onde consegui postar mais um texto). Então a bateria do meu netbook acabou e eu resolvi voltar para o albergue.

Um rua antes de chegar lá encontrei um parque. Como era domingo, estava cheio de pais brincando com seus filhos. A cena era realmente linda e fiquei lá por mais de uma hora. Cheguei a tirar umas fotos e fiz um vídeo de uma menininha que me lembrou muito a minha irmã quando pequenina. O dia estava lindo, mas eu estava podrão. 3 e pouco voltei para o albergue para esperar dar 4 horas e dormir um pouco. Enquanto isso, terminei a atualização do dia 20 no blog.

Quando deu 4 horas, peguei a chave e fui dormir. Antes disso chegou um dos meus companheiros de quarto do dia: um francês que arranhava muito mal o inglês e que estava lá em Paris procurando emprego. Não consegui gravar seu nome, mas me lembro que ele era muito parecido com o Vinícius, amigo meu de São Carlos que trabalha na CAIXA.

Dormi até as 7 da noite e depois fui para o salão para escrever mais um pouco. Fiquei lá por umas duas horas e então apareceu a Taís e me convidou para jantar com a colega de quarto dela em um restaurante italiano alí do lado. Fui e comemos espaguete ao fruto do mar por 10€ cada. Elas tomaram vinho, mas eu nem consegui olhar para a garrafa. Ela então me deu uma cartela de Eparema, pois ela diz que deve ser algo com o meu fígado. Voltamos para o Albergue e eu fui para o meu quarto. Então chegou mais uma pessoa que ia dormir lá, um brasileiro chamado Rodrigo. O cara viajou muito e começou a me contar todo empolgado a turnê que fez pela África. Conversamos um pouco e eu logo fui dormir.

Paris (26.10.2009)

Hoje acordei bem cedo. Na verdade eu acordei durante toda a madrugada, mas tive uma noite muito boa de sono. Por vários dias tenho tido sonhos com o mesmo tema: estou no Brasil para fazer algo por um dia e vou voltar para terminar esta viagem. Confesso que estou com muita saudade do Brasil, principalmente da minha família (e entre eles, da min ha mãe). Está sendo maravilhoso viajar, mas, como diria Dorothy: “Não há nenhum lugar como nosso lar”.

O caminho até o aeroporto foi bem tranquilo e não tive problemas para embarcar. Pelo que acabaram de avisar, na Grécia está um tempo bem chuvoso e nebuloso. Bem, em todos os lugares que visitei até agora a previsão era a mesma, mas no final tudo deu certo e o clima ajudou bastante. Aposto que em Atenas será também assim. No momento que escrevo isto, estou no avião e acredito que, mesmo tendo pulado muitas partes (umas por acaso, outras deliberadamente), consegui cumprir a minha meta e relatar um pouco da minha passagem por Paris. Agora é só rezar para que a internet lá seja melhor.

Agora me vou. Beijos e abraços e…
Bençaaaaaa mãe!

Dia de chuva no castelo do Rei Sol (Paris Express pt4)

quarta-feira, outubro 28th, 2009

(Paris 24.10.2009)

Acordamos e o dia estava uma merda. Chovia muito e não parecia que ia melhorar. Tomamos café e ficamos decidindo o que fazer. O Gustavo queria ir visitar os monumentos, mas eu queria ir para o Palácio de Versalhes. Tiramos no cara ou coroa e é claro que eu venci.

Para chegar em Versalhes temos que tomar o metrô até certa estação e lá seguir de trêm. Como o sistema é mega integrado, você compra o bilhete no próprio metrô e faz todas as baldeações tranquilamente. O caminho foi tranquilo e chegamos lá em pouco tempo.

Fomos até o palácio e descobrimos que depois das 3 o preço caia de 15€ para 11€50. Faltava meia hora para as 3. Por isso fomos ao Mc Donalds mais perto e comemos para passar o tempo.

Vou ser repetitivo e dizer que o palácio é extremamente grande e belo. Tudo aqui em Paris é assim. A cidade inteira é feita para te deixar com o queixo caído e o principal palácio não ia ser diferente.

A visita ao Palácio me lembrou Windsor, pela forma como foi conduzida. Novamente eu e o Rodolfo seguimos juntos e o Gustavo fez seu próprio caminho. Na verdade, ele ficou dormindo num canto pois estava muito cansado. Nós nos encontramos depois, às 5 e 30, na saída, pois ele sabia que íamos querer visitar o jardim, que abre para a visitação gratuíta nesse horário.

Demos uma pequena volta pelo jardim, mas foi o suficiente para notarmos a grandeza dele. O Rodolfo não achou ele muito bem conservado, mas eu gostei muito. para se ter noção, o negócio é tão grande que até fizeram um restaurante lá dentro, no meio de um dos “gomos” de árvores que há por lá. As fotos de Versalhes todas ficaram na máquina do Gustavo e vou ter que esperar para pegá-las com ele em Londres.

Voltamos para o Albergue e ante disso passamos em um mercado Dia% (sim, aquele mercado fuleiro que você achava que só tinha no Brasil é uma multinacional – aliás, ele é do Carrefour) e compramos alguns vinhos. Tomamos banho e enquanto nos arrumávamos para ir para a porta, ouvimos uma voz de uma garota dizendo: “Brasileiro é tudo barulhento mesmo, né?” e olhamos pela janela para ber uma menina loirinha brincando com a gente. O nome dela é Taís e chamamos ela para beber com a gente. Terminamos de nos arrumar e fomos para a porta encontrar com a Taís. Lá encontramos também a maria Cláudia, um a Curitibana que haviamos conhecido no dia anterior e que ia sair com a gente para beber. Decidimos ir até o Sena e beber lá. Então eu voltei ao quarto para fazer não sei o que e vi umas meninas lorinhas muito lindas na porta de um dos quartos. Elas me cumprimentaram e eu puxei papo. Chamei-as para ir beber conosco e elas concordaram, mas disseram que não sabiam se ia mesmo rolar, pois não tinham permissão. Foi aí que eu me toquei que estava falando com pivetas (maiores do que eu, mas pivetas).

A mais bonita de todas e a mais empolgada era a Iris, havia também a Julia e a Larissa e outra que não lembro o nome. Elas são holandesas e estavam em Paris para estudar francês por 3 meses. Fui até a porta e lá haviam uma porçào de moleques também loirinhos. A Iris e mais uma outra logo saíram e então confirmaram que não ia rolar mesmo: a professora delas estava no barzinho em frente ao hostel (ela até acenou para nós, do outro lado da rua). Os meninos também eram do grupo delas, mas não eram seus amigos. Fiquei sabendo que na Holanda você pode começar a beber com 16 e a fumar maconha com 18. Infelizmente a Iris tinha apenas 15. Mas melhor isso do que ir para a cadeia.

Então fomos eu, o Rodolfo, o Gustavo, a Taís, a Maria Cláudia e o Estefano (é claro). Antes mesmo de chegarmos ao Sena, o vinho já havia acabado. Eu estava segurando a garrafa, por isso, bebendo muito mais que o resto do pessoal. Não sei dizer tudo o que aconteceu naquela noite. Mas o Rodolfo me lembrou no dia seguinte que voltamos para o hostel, compramos mais vinnho e depois fomos comer um crepe bizarro e que eu fiquei conversando com um cara canadense (e contando sobre o Steve) e mais uma porção de coisas. Ele também adicionou algo sobre eu ter ido ao motel com o Estefano… espero que tenha sido brincadeira.

De alguma maneira, fui dormir.