Arquivos de ‘Causos’ Category

Pati, a Pimenteira

terça-feira, setembro 29th, 2009

E eis que chegou a Primavera, a melhor estação do ano. Eu adoro a Primavera porque ela é a época do ano com o melhor clima, com o início do horário de Verão, porque ela significa que o Inverno já passou e porque eu nasci na Primavera.

Todo ano, no trabalho, a gente faz um amigo secreto com o pessoal do prédio inteiro. O objetivo é trocar flores e conhecer alguém que nem sabíamos o nome direito. Eu sempre participo e é muito bom ver flores e plantas espalhadas por todo o lugar. E, para animar mais ainda a Primavera, as supervisoras do meu setor compraram uns vasinhos com flores coloridas para cada um dos funcionários. Todo mundo recebeu uma mas, por um problema de cálculo, faltou uma flor. Foi então que a minha supervisora, a Bete, pediu para que eu cedesse a flor para essa pessoa, já que era uma menina e ela ainda não havia chegado. Eu cedi sem maiores problemas e no dia seguinte em ganhei uma pimenteria da Bete como compensação.

Eu acho que nunca em minha vida fui tão apaixonado por uma planta.

Quando ela chegou, tinha apenas uma pimenta vermelha, bem no meio. Achei um mega charme, ainda mais porque eu não havia percebido que ela estava carregada de outras pimentas, ainda verdes. Já no segundo dia já havia uma segunda pimenta vermelha (foi quando o Tucci tirou a foto) e hoje já havia mais uma (e há uma quarta se preparando para avermelhar). Minha pimenteira é demais. Eu ouvi dizer que plantas gostam de música pesada, então fico ouvindo Iron Maiden, Sepultura e outras coisas com ela. Ela parece se divertir, mas as vezes se cansa. A gente conversa um pouco. Ela é uma boa ouvinte. O nome dela é Pati.

Pati, a Pimenteira

Pati, a Pimenteira

Em breve vou sair de férias. Espero que cuidem dela.

O Grilo

segunda-feira, outubro 29th, 2007

Eu estava no viaduto Beneficência Portuguesa, olhando os carros passarem na 23 de Maio e tomando um vento na cara, quando um grilo, daqueles bem pequenos e verdes, pousou em meu braço.

Minha primeira reação foi assoprar, pois pensei que fosse folha. O grilo então saltou e pousou novemente em mim. Mais uma vez soprei, desta vez já sabendo que era grilo, e o bichinho repetiu sua rotina: saltou e voltou a pousar em mim, só que em outro braço. Soprei uma terceira vez e o grilo fez a mesma coisa que fizera duas outras vezes.

Nesse momento parei. Senti-me mal por ter expulso o bichinho tantas vezes de perto de mim. Arrependi-me e até cheguei a afeiçoar-me dele. Foi então que ele saltou de meu braço e desapareceu.

Acho que o grilo era mulher.

O Cacique das Chuvas

sábado, setembro 22nd, 2007

Vocês sabiam que a cidade de São Paulo tem convênio com uma instituição Umbandista para o controle climático? É, eu também não sabia, mas descobri em uma Veja São Paulo de algumas semanas atrás que, por mais absurdo que pareça, isso é verdade.

A instituição chama-se Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) e é presidida por Adelaide Scritori, uma médium que diz receber o espirito do Cacique Cobra Coral, que é capaz de promover as mudanças climáticas solicitadas. Pelo que li, a Fundação não recebe nenhuma ajuda financeira da prefeitura, e em troca de seus trabalhos, pede que sejam feitas obras para evitar enchentes. A reportagem da Veja São Paulo apresenta uma listagem de eventos em que a instituição foi chamada a participar. Entre eles está a visita dos capetões Bento XVI e George Bush e o processo de resgate das vítimas do acidente na Linha Amarela do Metrô. A fundação também tem convênio com a prefeitura do Rio de Janeiro e também efetua trabalhos em outras partes do globo, como o caso de um incêndio na Grécia, neste ano.

Divertido mesmo deve ser quando tem Festas Juninas na Fundação: “Olha a chuva!… Já passou!”

Quem quiser conhecer mais, visite: http://www.fundacaocoral.com.br/.


Explodingdog – I want to know everything

The Graffiti Project – on kelburk castle

terça-feira, junho 19th, 2007

Quem me conhece um pouco, sabe que de tempos para cá, fiquei um pouco apaixonado por grafite, adquirindo uma preferência maior por aqueles que estão nas paredes do que àqueles que caem dos lápis. Não vou me prender aqui falando sobre o grafite em si, mas si de um acontecimento grandioso para o grafite brasileiro. Dois escoceses cheios da grana e fãs de grafite, chamaram quatro dos maiores nomes do grafite nacional para preencher grande parte das paredes de um castelo do século XIII, o castelo de Kelburk.

Para quem achou a idéia legal, segue o link e o vídeo.

The graffiti project on kelburk castle

Janaina, pode enfartar.

A Família Augustim

sexta-feira, junho 1st, 2007

Há muito tempo atrás, na época em o Brasil ainda era colônia de Portugal, havia duas famílias eternamente em guerra: os Augustim e os Borges. Não se sabe ao certo como começou, porém, de tempos em tempos, um Borges matava um Augustim e depois, para se vingar, outro Augustim matava um Borges. Assim seguindo a rixa por gerações a se perder de vista. Após algum tempo, ambas as famílias se mudaram para o Uruguai, apesar de seu verdadeiro destino ser a Argentina, que passava por revoltas na época. Quando o Uruguai foi anexado ao Brasil, os Augustim e os Borges também entraram em terras brasileiras e a rixa, há muito tempo sem sentido, prosseguiu. Foi nesse interim que Antônio Augustim, já viúvo e pai de dois filhos, resolveu acabar com essa história de sangue e se mudou para Irapé, onde comprou dois sítios: uma para seu filho Francisco Bernardo Augustim e outro para seu outro filho. Francisco era casado com Maria Rosa Augusto Augustim e juntos tinham quatro filhos: José, Maria, Ana e Joaquim – os pais e avós de Jesus respectivamente. Os sítios onde os filhos de Seu Antônio viviam eram cobertos por plantações de milho. Produto esse que era vendido já debulhado de sua espiga, o que adicionava valor à carga.

Certa noite, pois é mais fácil debulhar o milho à noite, toda a família Augustim de Irapé estava reunida à porta da casa, debulhando o milho que iria ser vendido no dia seguinte. Tudo já estava arrumado para a viagem e até as carroças já estavam prontas. A viagem até a cidade tinha dois objetivos: Vender o milho e registrar os quatro filhos, que ainda não possuíam registro oficial. Após algum tempo de trabalho, surgiu um homem a cavalo perguntando pelo Augustim. O irmão de Francisco respondeu que todos ali eram Augustim. Então o cavaleiro perguntou quem era o chefe da casa. Como eles estavam dentro da propriedade de Francisco, este se declarou como sendo o chefe. Então o cavaleiro sacou uma pistola e desferiu um tiro contra o peito de Francisco Bernardo, matando-o, e depois declarou: “Eu sou um Borges”.

No meio da confusão e do susto, o cavaleiro fugiu. Logo sendo seguido pelo irmão de Francisco, que o seguiu até a cidade de Irapé. Lá, perguntando às pessoas que estavam pela rua, descobriu que o assassino de seu irmão havia seguido em direção à Xavantes. Em Xavantes foi informado que Borges seguiu para Ourinhos e lá que havia partido para Santa Cruz do Rio Pardo. Em Santa Cruz, ao perguntar sobre o misterioso atirador, lhe perguntaram se ele estava falando sobre o defunto que estava atirado no cemitério. Segundo os moradores de Santa Cruz, o viajante havia chegado à cidade, arrumado confusão, sendo logo despachado para o outro mundo. O Augustim que havia perdido seu irmão foi até o cemitério verificar o defunto. Lá ele descobriu que se tratava realmente do assassino. O irmão de Francisco sacou sua arma e disparou cinco vezes contra o peito do falecido, sendo detido por quatro anos devido a isso. Na delegacia, onde havia sido detido, por ser o único que sabia escrever, acabou tornando-se escrivão, logo assistente e, quando o chefe de polícia veio a falecer, tornou-se o próprio chefe.

Em Irapé, onde todos os preparativos para uma viagem à cidade haviam sido feitos, Maria Rosa decidiu segui com sua viagem para a cidade, seguindo os planos originais de vender o milho e registrar as crianças. Porém agora com dois objetivos a mais: registrar o sítio em seu nome e enterrar seu marido. Em Irapé, nenhum dos Augustim, exceto o patriarca Antônio, sabia da rixa com a família Borges. Após o incidente, seu Antônio explicou tudo para Maria Rosa que tomou a decisão de acabar de uma vez com o problema. Na hora de registrar seus filhos, suprimiu o sobrenome Augustim que vinha de seu marido e adotou o Bernardo no lugar. Assim foram registrados: José Bernardo Augusto, Maria Bernardo Augusto, Ana Bernardo Augusto e Joaquim Bernardo Augusto. Mais tarde, quando José Bernardo Augusto foi registrar seu filho Otavio, descobriu que não mais poderia registrar Augusto como sobrenome, pois este era um título de nobreza. Foi então que ficou registrado em cartório: Otávio Bernardo, meu avô e primeiro dos Bernardo.

Explodingdog - dogs
Explodingdog – aluminium and copper dogs