Arquivos de setembro, 2004

Minha vez de falar sobre amor

quinta-feira, setembro 30th, 2004

Já que dos quatro, dois já falaram, só falta eu. Isso é claro porque o Dante deve ser eunuco… hahahaha. Bem, voltando. Como vocês sabem eu não sou muito bom com as palavras, por isso vou deixar um poema que me fez pensar muito sobre o assunto, espero que gostem…

I lied (Brazillian Reason)

I lied
When I said I didn’t wanted you
When I said that my happiness
Was to live away from you
I lied
‘Cause my heart made me to
And in my eyes you can see
That I’m suffering from the inside

Love make us crazy
Make us say things
And then regret
But then
When that chilling comes
The fear of solitude
Make us lose the challenge

And then despair comes
Hurting the heart
I fully surrender
Begging for your forgiveness

Um pirulito pra quem entendeu. Hahahahahaha

Beijocas!

O amor

quarta-feira, setembro 29th, 2004

Um olhar meio de lado, um sorriso. Tudo começa assim. Meu coração se entrega sem pensar em mais nada a não ser na remota possibilidade de estar ao seu lado. Meus sonhos tem agora uma nova cor que domina todos meus sentidos e faz meu coração bater mais forte só de pensar nela. A vida sem o amor não é vida, é desperdício de tempo. Se algum dia nada mais valer a pena, lembrarei-me de você.

Os corações apaixonados batem em sincronia com o tempo de Deus, o amor contagia mais do que a gripe causando uma doença vital em todos que ficarem no caminho. Amo, logo existo – essa deveria ser a verdadeira conclusão de Descartes. O amor é a razão pela qual tudo faz sentido.

Widescreen, Doubly Digital, Tecnhicolor. O amor não tem fronteiras e não conhece barreiras. Quem ama sabe o significado da vida. Quem somos? Somos o amor. De onde viemos? Viemos do amor. Para onde vamos? Vamos para o amor.

Do amor tenho a teoria, a planta mestra para construir o agora. O amor une o mundo inteiro em um só coração, uma só alma, um só desejo – ser feliz, amar. O amor é como a fruta mais doce e suculenta, em doses perfeitas e sem machucar o paladar. O amor não tem espinhos, tem doçura. Se houvesse uma palavra para explicar todo o sentido da criação e abranger tudo o que existe, sem nada faltar, essa palavra seria amor. O amor é justo, verdadeiro e honesto. O amor é mais que instinto, é transcendência do espírito, é verdade imutável e aconchegante como um cobertor num fim de tarde de outono na praia. Amor é mãe, é pai, é filho… É avó com seus beijos, bolos e bolinhos. É acreditar num dia melhor, é viver um dia melhor. No amor estamos completos.

Eu acredito que haverá um dia em que aprenderemos a amar. De todo o coração.

As meninas de 14 anos (um recado a um amigo)

segunda-feira, setembro 27th, 2004

É cara, terminou. Ela deixou você sozinho e você ainda não entende como. É difícil aceitar, eu sei. E você que chegou a pensar que ia durar para sempre, né?

Não a culpe, ela está tão confusa quanto você. Sabe, apesar de parecer ao mundo que ela já é uma mulher, ela ainda é uma criança. Criança modificada geneticamente, com corpo de mulher e pseudo-liberdade, mas ainda assim uma criança.

Ela tem o que? Catorze, quinze anos, não? Você realmente lembra disso? Cara, o que a gente sabe sobre responsabilidade com catorze anos? Como trocar juras de amor eterno com alguém que não sabe nem para que vai prestar no vestibular? Aliás, uma dica pra você: o amor eterno não se jura, se conquista a cada dia.

Sei o que você deve estar pensando: Ela não presta. E não presta mesmo. Está verde. As curvas dela são as mais perigosas de todas as que você encontrará. Nada pior do que uma pessoa sem objetivos, vazia. Uma menina de catorze anos é assim. Você também era assim, a diferença está na pressão que cai sobre os ombros.

Um exercício. Pense em tudo o que ela significou para você. Lembre dos sonhos, dos desejos, das esperanças, planos, momentos bons. Lembre das brigas, das reconciliações e de como ela fazia você se sentir. Dói, não? Agora olhe para alguma foto dela, linda e sorridente. Olhe por muito tempo, uns dez minutos, até cansar. É realmente essa pessoa que fez tudo isso com você? Tente imaginar outra pessoa no lugar dela – não precisa ser uma pessoa de verdade, só não pode ser ela. A intenção não é fazer você se apaixonar de novo, mas sim perceber que o amor é um sentimento, e não uma pessoa. Ela se foi, o amor não.

Não culpe as meninas de catorze anos, nem tente se vingar. Mas aprenda, fuja delas, não cometa o mesmo erro. Trate-as como obras de arte, coisas lindas que se vê por trás de uma cordinha. Você estará seguro desse jeito. Com o tempo as coisas melhoram, as meninas ficam mais decididas e experientes. Elas ainda vão destruir o seu coração, mas pelo menos serão mais honestas.

E sempre que quiser chame seus amigos, todos nós já passamos por isso. E alguns de nós podem comprar cerveja.

De qualquer forma, levante a cabeça.

E seja bem vindo ao clube!

Entrega

segunda-feira, setembro 20th, 2004

No útero escuro do porta malas de um carro, sinto-me seguro. O conforto e a ternura da escuridão lembram-me da vida antes da vida. A incerteza das trevas se transforma na cegueira alegre da entrega, da confiança. Nada temo, pois o escuro me abraça e me bota para dormir em seus braços. Estou completo e satisfeito.

Que no útero escuro,
Nada me falte.
Pois no útero escuro dos meus pensamentos,
Entrego-me e encontro a vida.

A Queda

quinta-feira, setembro 16th, 2004

Eu caio.

É necessário.

A queda me assusta. Nunca senti medo antes. A sensação é forte e aguda. Sinto que meu coração vai explodir. A ansiedade é tamanha. Todas essas sensações são tão novas para mim. Antes tudo era calmo e tranqüilo, nada me agitava ou perturbava. Tudo era cinza. Agora percebo que existem muitos outros cinzas, e outras cores também. Meus olhos se abrem, o vento corta meus cabelos com tanta velocidade que sinto vontade de gritar. Um misto de dor e alegria. Vontade de cair eternamente. Eu estou acordado e o mundo me aguarda. Ouço um zunido, ele aumenta conforme caio. Ele aumenta e aumenta, parece que meus ouvidos vão explodir. Tapo-os com as mãos, mas logo desisto e me entrego à dor. Meus braços se abrem e sinto o frio. Pensamentos alienígenas passam pela minha cabeça. A terra se aproxima. Tudo era tão pequeno lá de cima. Agora eu vejo que a pequenês sempre esteve em mim. Crescer, essa é a minha missão. Não sei como vou voltar, mas isso não me importa agora. Eu quero viver! A vida me parece tão boa. Quero viver e viver. O mundo será meu, meu! Olho para cima e as gotas começam a cair em minha face. Tento voltar minha mente à minha missão. É difícil, mas tenho que tentar. Agora falta pouco, estou quase lá. A ansiedade volta. Trinta e três anos eles disseram. Será tempo suficiente? Minhas pernas começam a tremer. Será que vou conseguir? Será que sou capaz? Agora é tarde pra voltar atrás. Melhor entregar-me queda.

Seja feita a sua vontade.