Arquivos de junho, 2007

The Graffiti Project – on kelburk castle

terça-feira, junho 19th, 2007

Quem me conhece um pouco, sabe que de tempos para cá, fiquei um pouco apaixonado por grafite, adquirindo uma preferência maior por aqueles que estão nas paredes do que àqueles que caem dos lápis. Não vou me prender aqui falando sobre o grafite em si, mas si de um acontecimento grandioso para o grafite brasileiro. Dois escoceses cheios da grana e fãs de grafite, chamaram quatro dos maiores nomes do grafite nacional para preencher grande parte das paredes de um castelo do século XIII, o castelo de Kelburk.

Para quem achou a idéia legal, segue o link e o vídeo.

The graffiti project on kelburk castle

Janaina, pode enfartar.

Importância

segunda-feira, junho 4th, 2007

Havia uma pessoa que se importava tanto, mas tanto, que ela chegava até a pagar a taxa de alfândega!

“Tã-nã-nã-nã-a”
- Tema da Praça é Nossa

A Família Augustim

sexta-feira, junho 1st, 2007

Há muito tempo atrás, na época em o Brasil ainda era colônia de Portugal, havia duas famílias eternamente em guerra: os Augustim e os Borges. Não se sabe ao certo como começou, porém, de tempos em tempos, um Borges matava um Augustim e depois, para se vingar, outro Augustim matava um Borges. Assim seguindo a rixa por gerações a se perder de vista. Após algum tempo, ambas as famílias se mudaram para o Uruguai, apesar de seu verdadeiro destino ser a Argentina, que passava por revoltas na época. Quando o Uruguai foi anexado ao Brasil, os Augustim e os Borges também entraram em terras brasileiras e a rixa, há muito tempo sem sentido, prosseguiu. Foi nesse interim que Antônio Augustim, já viúvo e pai de dois filhos, resolveu acabar com essa história de sangue e se mudou para Irapé, onde comprou dois sítios: uma para seu filho Francisco Bernardo Augustim e outro para seu outro filho. Francisco era casado com Maria Rosa Augusto Augustim e juntos tinham quatro filhos: José, Maria, Ana e Joaquim – os pais e avós de Jesus respectivamente. Os sítios onde os filhos de Seu Antônio viviam eram cobertos por plantações de milho. Produto esse que era vendido já debulhado de sua espiga, o que adicionava valor à carga.

Certa noite, pois é mais fácil debulhar o milho à noite, toda a família Augustim de Irapé estava reunida à porta da casa, debulhando o milho que iria ser vendido no dia seguinte. Tudo já estava arrumado para a viagem e até as carroças já estavam prontas. A viagem até a cidade tinha dois objetivos: Vender o milho e registrar os quatro filhos, que ainda não possuíam registro oficial. Após algum tempo de trabalho, surgiu um homem a cavalo perguntando pelo Augustim. O irmão de Francisco respondeu que todos ali eram Augustim. Então o cavaleiro perguntou quem era o chefe da casa. Como eles estavam dentro da propriedade de Francisco, este se declarou como sendo o chefe. Então o cavaleiro sacou uma pistola e desferiu um tiro contra o peito de Francisco Bernardo, matando-o, e depois declarou: “Eu sou um Borges”.

No meio da confusão e do susto, o cavaleiro fugiu. Logo sendo seguido pelo irmão de Francisco, que o seguiu até a cidade de Irapé. Lá, perguntando às pessoas que estavam pela rua, descobriu que o assassino de seu irmão havia seguido em direção à Xavantes. Em Xavantes foi informado que Borges seguiu para Ourinhos e lá que havia partido para Santa Cruz do Rio Pardo. Em Santa Cruz, ao perguntar sobre o misterioso atirador, lhe perguntaram se ele estava falando sobre o defunto que estava atirado no cemitério. Segundo os moradores de Santa Cruz, o viajante havia chegado à cidade, arrumado confusão, sendo logo despachado para o outro mundo. O Augustim que havia perdido seu irmão foi até o cemitério verificar o defunto. Lá ele descobriu que se tratava realmente do assassino. O irmão de Francisco sacou sua arma e disparou cinco vezes contra o peito do falecido, sendo detido por quatro anos devido a isso. Na delegacia, onde havia sido detido, por ser o único que sabia escrever, acabou tornando-se escrivão, logo assistente e, quando o chefe de polícia veio a falecer, tornou-se o próprio chefe.

Em Irapé, onde todos os preparativos para uma viagem à cidade haviam sido feitos, Maria Rosa decidiu segui com sua viagem para a cidade, seguindo os planos originais de vender o milho e registrar as crianças. Porém agora com dois objetivos a mais: registrar o sítio em seu nome e enterrar seu marido. Em Irapé, nenhum dos Augustim, exceto o patriarca Antônio, sabia da rixa com a família Borges. Após o incidente, seu Antônio explicou tudo para Maria Rosa que tomou a decisão de acabar de uma vez com o problema. Na hora de registrar seus filhos, suprimiu o sobrenome Augustim que vinha de seu marido e adotou o Bernardo no lugar. Assim foram registrados: José Bernardo Augusto, Maria Bernardo Augusto, Ana Bernardo Augusto e Joaquim Bernardo Augusto. Mais tarde, quando José Bernardo Augusto foi registrar seu filho Otavio, descobriu que não mais poderia registrar Augusto como sobrenome, pois este era um título de nobreza. Foi então que ficou registrado em cartório: Otávio Bernardo, meu avô e primeiro dos Bernardo.

Explodingdog - dogs
Explodingdog – aluminium and copper dogs

Subterrâneo

sexta-feira, junho 1st, 2007

Aqueles que não apenas moram na cidade de São Paulo, mas também se preocupam em observá-la sabem que a cidade é muito maior do que se observa. Essas pessoas percebem claramente que se pode habitar na cidade por anos ou até décadas sem nunca conhecer certas áreas, transformando a cidade em várias cidades. A minha São Paulo é diferente da sua. Porém, nem mesmo essas pessoas conseguem imaginar a verdadeira dimensão da cidade, e para suprir essa curiosidade e fascínio pelo desconhecido, surgem as Lendas Urbanas. Entre elas, a mais misteriosa permanece a dos trilhos do Metrô. Para onde os trilhos levam os trens quando ultrapassam a estação terminal? Alguém ousaria descobrir os segredos por trás da instituição mais sólida e estéril do maior centro urbano da América do Sul?

Jonas voltava para casa do cursinho. Intensivão de fim de ano, aulas até às 23 horas. Estava cansado e acabado. Seu dia havia começado bem cedo, antes de qualquer outra pessoa de sua casa. O mundo desabava em chuva e o seu caminho ao serviço não havia sido fácil. Passara metade do dia encharcado, a outra metade com indícios de gripe. Sua cabeça estava explodindo. Na hora em que saíra do cursinho, a febre já o havia dominado, a coriza o dominava e sua cabeça parecia um enorme coração, martelando incansavelmente o crânio de Jonas, tamanha a dor de cabeça que o abocanhara.

Graças à Deus, o metrô era logo ao lado do cursinho. Como era noite, ele podia voltar sentado e encostado à janela. Jonas queria chegar logo em casa, queria poder tomar um banho quentíssimo, alguns comprimidos e uma sopa quente com cenoura e batatas. Jonas então colocaria sua roupa de dormir, se enfiaria dentro de uns três cobertores e finalmente morreria para aquele dia. “Ainda bem que amanhã é sábado”, foi o último pensamento de Jonas, que carregado pela fantasia do conforto de seu lar, relaxou e dormiu com a cabeça encostada contra o vidro do vagão do metrô.

Quando acordou…

Calma Banin, não vou roubar sua idéia! Apesar de você ter me contado sobre seu desejo de escrever uma história macabra sobre os subterrâneos do metrô há alguns meses atrás e nunca tê-la escrito. O meu objetivo, na verdade, é lembrar-nos, todos nós, da quantidade de idéias maravilhosas que temos e que nunca colocamos em prática. O motivo? Todos e nenhum. Não existem motivos, mas sim desculpas. Estamos muito atarefados, cansados, sem inspiração, com preguiça ou simplesmente acreditamos que teremos todo o tempo do mundo para realizarmos nossos sonhos criativos. Grande ilusão, não é?

Alguém percebeu como a semana passou rápido? Não sei se “o mundo seguiu adiante”, como profetiza Stephen King ou se estamos entrando finalmente na vida adulta e esse é o jeito que as coisas serão daqui p’ra frente. O que importa é que se não cuidarmos, logo estaremos num leito tranqüilo, com nossas aposentadorias e reumatismos, e o que talvez me assuste mais: com nosso conformismo, aceitando tudo como é e não mais desejando; não mais criando. O tempo está passando, minha gente, e estamos entregando toda nossa força criativa a tarefas que não possuem grande objetivo a não ser o do quinto dia útil. Enquanto nos vendemos, prostitutas que somos, esquecemos dos sonhos que sonhamos e dos universos que criamos em nossas mentes. O melhor de nós tem sido entregue diariamente por um preço vagabundo e o fazemos sem resistir. O que fazer, abandonar tudo? Não, claro que não. Somos putas e disso nos orgulharemos, porém, além disso, somos Deus, criaturas-criadoras. Devemos criar; expressar nossas maiores quimeras em telas, folhas, paredes ou lançando-as ao ar, vibrando-o o mais alto que pudermos. A Arte é a única salvadora do homem, fora dela há “trevas e ranger de dentes”. Não desperdicemos nossa alma nos esquecendo dos nossos sonhos. Somos filhos de um sonho, sejamos então pais de muitos outros. “Crescei-vos e multiplicai-vos”, não é?

E a tarefa é simples, basta abandonar as desculpas e começar. Vamos lá então:

Era uma vez uma garotinha e sua caixa de sugestões…

Explodingdog - Pardon me, I need to save myself

Explodingdog – pardon me, I need to save myself