Arquivos de maio, 2008

Adeus III

quinta-feira, maio 29th, 2008

É noite, ando pela casa e meus passos marcam o chão gelado. Pegadas que desaparecem, como o perfume do ar, como os beijos dos lençóis, como sonhos. E nada sei dos sonhos, senão o que eles constroem em mim, e assim mesmo sei deles mais do que sei de você.

Eu abro a janela lentamente e meus dedos desenham curvas no embaçado do vidro, rascunhos de uma despedida que você não verá hoje, mas da próxima vez que vier o frio.

Sento na batente, e meus braços nus me arrumam desculpas várias para não ir. Mas estes braços não te abraçam, não te alcançam. Não entendem as saudades e suas promessas – sentimentos subjetivos demais ao toque.

Porque é muito cedo, tarde demais, e meus pensamentos se põe em um horizonte que não tem mais teu rosto, que divaga em vários outros, até no meu.

E é afortunada a madrugada estrelada, a lua no céu azul, a mala pronta ao lado da porta – minha saída sendo a janela. Porque daqui nada levo senão asas, aqui nada deixo senão flores.

Quisemos tudo, mas quem voou, fui eu.

A Migração – Arrumando as malas

domingo, maio 18th, 2008

Linux x WindowsMinha cabeça ainda lateja um pouco, mas o que mais incomoda é o estômago que ainda não se decidiu em que parte do meu corpo ele quer ficar. É a ressaca mais longa que tive em minha curta vida. Mas, como eu e a Dani concordamos: nós nunca teremos bebido o suficiente. Porém, não é este o motivo deste post, mas sim a realização de algo que estou planejando a certo tempo, mas que sempre deixo para o fim de semana seguinte. Mas de hoje não passa: Vou migrar de OS (Operational System – Sistema Operacional). Adeus Microsoft Windows e seu Reino das Patentes e Copyright. Seja bem-vindo Linux e o Universo do Código Livre!

A decisão foi tomada dia 17 de abril e a postei no Twitter. Eu havia me dado um prazo de 1 mês para efetuar a migração, mas não cumpri meu próprio prazo. Honestamente, mudar de OS não é uma coisa tão simples assim, ainda mais quando fomos todos criados e condicionados em Windows. Houve um tempo em que pensei que a única diferença entre PC e Mac era que um rodava Windows e o outro rodava algo que não era Windows – e aposto que muita gente pensa isso até hoje! O frio na barriga é grande, mas os motivos para mudar são maiores ainda. O primeiro, e mais óbvio, é: Por que pagar por algo que se pode ter de graça? A resposta imediata também é óbvia: Porque algo gratuito nunca terá a mesma qualidade de algo que é simplesmente “dado”. Não é verdade?

Em muitos casos, temos que acreditar que sim. Mas, quanto é que a sua mãe cobra pelo jantar? E você vai dizer que prefere um jantar em um restaurante caríssimo à comida feita em casa? O motivo disso é bem simples: tudo o que é feito com amor é melhor e mais gostoso. Existe uma terminologia muito indevida que separa o que é bom do que não é. Ela chama de profissional tudo aquilo que é de boa qualidade e de amador tudo o que não é. Não consigo enxergar maior erro. O Profissional faz algo porque é seu dever fazê-lo, não porque é aquilo que ele quer fazer. Profissional é acordar cedo, tomar banho e bater cartão. O Amador faz o que ama porque acredita nisso, porque isso é o que o instiga, o que o move, o que o leva para frente. Somente em um mundo de lógicas distorcidas e contraditórias como o nosso é que o Amador é inferior ao Profissional. Mas o mundo está mudando e a Revolução não será televisionada, mas poderá ser assistida pelo You Tube. O Linux é prova de que a Amador é mais bem sucedido que o Profissional. Não digo que ninguém ganha dinheiro com o Linux, pois muita gente “vive” de Linux, mas é a idéia por trás, a filosofia que diz que todo o conhecimento deve ser compartilhado, é que faz toda a diferença.

Para quem não sabe, o Linux é um Sistema Operacional construído com seu código fonte aberto para todos que estiverem interessados nele. O código fonte é o genoma de um software. Ele é construído através de texto e, quem tiver a curiosidade de ver um código fonte, pode clicar com o mouse sobre esta tela e selecionar a opção “Código-Fonte” (ou “Exibir Código-Fonte”, pra quem utiliza o Internet Explorer ainda). Isso significa que você é livre para lê-lo, compreendê-lo, modificá-lo e até distribuí-lo. Sendo assim, hoje em dia existem dezenas de distribuições Linux, cada uma com suas qualidades e peculiaridades. E o mundo do software livre começa assim: milhares de escolhas a serem feitas. Sim, existe também a necessidade de se aprofundar um pouco mais em alguns conceitos que não nos era significante até então. Mas isso, acredito eu, é parte integrante de todo processo de amadurecimento. Quem se importava com a política internacional quando tinha 6 anos? Em contrapartida, o Windows é um Sistema Operacional cujo código é propriedade da Microsoft e não pode ser conhecido por ninguém sem a autorização da mesma. Modificá-lo então, jamais! Isso pode parecer besteira de início, mas: o que você acharia de comprar um carro cujo capô está soldado ao chassi, não permitindo que você tenha acesso ao seu motor?

E todos os outros motivos para se migrar para o Linux partem deste confronto entre Software Livre e Software Proprietário. E a questão principal que se forma é: Nas mãos de quem você quer deixar o futuro da computação e das redes. Nas mãos de pessoas que acreditam no trabalho coletivo, no compartilhamento de idéias e informações, no amor pelo que se faz. Ou nas garras de empresas que almejam o lucro antes de qualquer resultado. Não é a toa que toda nova versão do Windows sempre é lançada cheia de bugs. Pra que gastar dinheiro em testes se as pessoas vão usar o programa do mesmo jeito? Eles que encontrem os erros para nós. Depois é só lançar uma atualização na Internet.

O que ocorre é que as pessoas estão tão presas aos padrões impostos nos softwares, que nem conseguem enxergar que existem alternativas por todos os lados. O estranho em tudo isso é que elas conseguem digerir as mudanças absurdas entre diferentes versões de software, como a mudança do Windows 3.11 para o 95, ou a do Office 2003 para 0 2007, mas acreditam que nunca vão se adaptar a um software que seja desenvolvido por outras pessoas: como se a gente soubesse quem fez o que. Essa realidade contraditória gera algo mais contraditório ainda: a pirataria de software proprietário quando existem alternativas gratuitas. O mais irônico de toda a história é que esse tipo de atitude somente fortalece as empresas que são pirateadas, ao contrário do que se imagina. Isso é o que Sérgio Amadeu (meu professor da Pós Graduação) diz em seu paper “Corsários Digitais“, de 2004. A pirataria de software somente facilita a padronização dos mesmos, pois quanto maior o número de usuários, mais forte um software se torna, fazendo com que as empresas tenham que adotar esses softwares, pagando pelos mesmos. Não se enganem, a Microsoft quer que você pirateie o Office. Só assim ela tem força o suficiente para cobrar pelos mesmos às empresas e instituições (governamentais ou não). Já deve fazer mais de um ano que a Caixa implantou o BrOffice, software livre similar ao Microsoft Office, mas, como ela não inibiu a utilização do Office, ninguém o utiliza.

Mas, deixando os motivos de lado, por hora, vamos ao que interessa: a migração.

O mundo do Software Livre, como dito anteriormente, envolve uma série de escolhas. E migrar para o Linux não é diferente. A primeira dela é: Que distribuição devo utilizar? Existe um texto muito interessante sobre o assunto no site br-linux.org. O texto chama-se “O que é uma distribuição de Linux” e foi escrito por Augusto Campos. O texto não indica nenhuma distribuição específica, mas ajuda bastante a esclarecer algumas dúvidas. Basicamente cada distribuição é como um time de futebol: todo mundo tem uma favorita, mesmo sem ter motivo algum. O texto do Campos também é utilizado no wiki do site brasileira da distribuição Ubuntu, uma das mais utilizadas recentemente, e aquela que escolhi para utilizar. Então acessei o site do Ubuntu e me preparei para baixar o OS.

Ubuntu - VersõesPorém, as opções não terminavam por aí. Ao acessar o site do Ubuntu, me deparo com 4 versões diferentes da mesma distribuição: Ubuntu, Kubuntu, Xubuntu e Edubuntu. A primeira é o Ubuntu em sua forma clássica, construída com GNOME. A segunda é o mesmo software, mas construído com KDE. A terceira segue a mesma linha das duas anteriores, mas com XFCE e a última é uma versão criada especificamente para escolas e educação em geral. GNOME, KDE e XFCE são diferentes “Desktop Enviroments” (Ambientes Computacionais). Eu não sei realmente dizer o que difere um do outro, por isso procurei no google e encontrei alguns artigos interessantes sobre o assunto. Um dos mais interessantes foi o Ubuntu x Kubuntu, do site meio bit, escrito por Bruno Alves. Eu pessoalmente não sei ainda qual escolher, por isso baixei as duas e vejo na hora H o que faço. Uma outra distribuição interessante do Ubuntu é a Ubuntu Studio, que nada mais é que o Ubuntu comum, agregado de diversos outros programas livres voltados para a edição e criação de áudio e vídeo.

Um problema que tive logo de início foi que por diversas vezes eu baixei as versões do Ubuntu, mas elas vieram corrompidas. O problema deve estar no gerenciador do downloads do Firefox que não deve ser muito recomendado para arquivos grandes e também na minha ótima conexão (speedy, tsc tsc). Então como saber se a versão que eu havia baixada era boa? A solução foi encontrada no próprio wiki do Ubuntu. Existe algo chamado MD5 dentro das ISO (imagens de CD) que é utilizado para verificar a integridade do arquivo. Então tive que baixar um programa chamado winMD5Sum, porque o Windows não vem com nenhum programa para checar MD5 em sua instalação (ao contrário do Mac OS X e da maioria das distribuições Linux). Tudo checado, era a hora de gravar os cds.

Outra precaução que tive que tomar foi na hora de fazer o backup dos meus arquivos. Para isso comprei um HD externo portátil de 160GB na Santa Ifigênia. Faz tempo que eu queria um, agora posso continuar a minha coleção de filmes sem ter que me preocupar com espaço.

Para celebrar a minha mudança, bolei uma espécie de envelope para os CD. Criei uma capinha pra cada uma das distribuições e as imprimi. A capinha é bem simples e pode ser impressa em papel comum, mas é mais interessante utilizar uma gramatura maior (usei 180). Depois basta colar as abas e o envelope está pronto.

E como estou migrando para o universo do software livre, resolvi disponibilizar as capinhas para todos aqui. Coloquei até uma versão em branco para quem quiser criar suas próprias capas. Elas estão no formato .PNG, do Adobe Fireworks, e este é o arquivo que pode ser editado e alterado por todos. Coloquei também uma versão em .JPG, pra quem quiser apenas imprimir os envelopes. Infelizmente não tenho ainda uma versão criada em um programa de código aberto. Mas isso é só uma questão de tempo.

Desejem-me sorte. Logo volto com mais informações.

cds.jpg

Deus me abençõe!

terça-feira, maio 13th, 2008

Estava seguindo para o metrô, junto com o Dye, a Larissa e o Jé. Nós tinhamos saído para comer alguma coisa e eles estavam me levando para a Estação Brigadeiro, já que eu ia para a casa dos meus pais. No meio da calçada havia um mendigo que parecia ter problemas físicos, vestido com uma blusa, uma bermuda e descalço. Ele estava como que jogado no chão, junto com uma caixa de sapato com algumas moedas de 5 centavos. Passei por ele. Eu sentia muito frio, mesmo com duas blusas. Então comecei a pensar no frio que ele deveria estar pensando e decidi dar uma esmola. Peguei minha carteira e comecei a procurar por moedas. Eu não as encontrava e estava prestes a dar um real para o mendigo. Parei e decidi procurar melhor pelas moedas e finalmente as encontrei. Voltei até o mendigo e coloquei 20 centavos em sua caixa de sapato. Ele virou para mim e disse: “Deus lhe abençõe”.

“Deus me abençõe?”, pensei. Deus me amalçõe seria mais justo. Eu tinha mais dinheiro e neguei, guardei para mim e, em minha mesquinharia, juntei o que mais desprezava em minhas finanças e dei para alguém que eu dizia me sensibilizar com seu problema? Eu dei 20 centavos para ele, mesmo sabendo que isso não o ajudaria de forma nenhuma em seu sofrimento e ainda recebia uma benção?

Encontrei-me com a Larissa e o resto do pessoal, que estava mais á frente, e entreguei a ela dois reais. Que ela salvasse a minha alma, pois ela não deve valer mais do que isso mesmo.


Explodingdog – i’m afraid i will lose my faith

E-Paper Dreams

sexta-feira, maio 9th, 2008

Se existe uma bugiganga (gadget) que eu realmente gostaria de possuir agora é um leitor de e-books portátil. Carregar aquela montanha de papel não é algo que tenha mais sentido hoje em dia e, de que adianta todos os documentos eletrônicos, se as pessoas acabam imprimindo os textos para poderem ler onde quiserem? Como eu disse em outro post, já tive um Palm (eu ainda tenho, mas está danificado) e nele já li uma porção de livros. Um Palm (Handheld), ou um daqueles Smartphones é uma boa saída para a leitura digital, mas eu ainda sinto tudo aquilo muito antiquado, ultrapassado para a capacidade dos nossos dias. Existem também aqueles leitores como o Kindle, da Amazon e o Sony Reader, mas todos são muito limitados – e não dão liberdade para o leitor colocar o que quiser em seu reader: apenas conteúdo oficial deles. E isso, desculpem-me, é a coisa mais atrasada que existe hoje em dia (é como um iPod que só aceita músicas do iTunes).

Portanto, deixe eu dizer o que seria ideal em um leitor de e-books para mim:

1- Tela ampla em um acessório pequeno. Nada de trambolhos. O Reader da Sony e o Word Gear da Panasonic atendem bem ao que eu quero. Não pode ser algo pesado, também. Pois, se for assim, carrego livros.
2- Tela colorida e sensível ao toque. Pode dizer que é frescura, mas não é. Se alguém quer me reeducar na arte da leitura, terá que fazê-lo de uma forma que soe o mais natural possível. Eu quero uma tela colorida, pois quero ilustrações e detalhes vivos. Não quero um papel acinzentado, com cara de 286. E a questão da tela sensível é porque eu quero rabiscar meus livros, fazer anotações, grifar – quero ter a liberdade de interagir com o que estou lendo.
3- Acessibilidade. Quero um Reader que leia diversos tipos de arquivo, principalmente o PDF. E quero um que também me sirva como caderno. Ele pode vir com um software livre de editor de texto e permitir que o leitor vire um escritor. Imagine, adeus cadernos escolares!
4- Conectividade. Tem que ter conexão Bluetooth e Wi-Fi, sem falar em USB. Eu quero compartilhar meus livros e anotações com todos que estiverem disponíveis (perto ou longe). Quero poder comprar ebooks a qualquer momento e lugar (isso o Kindle faz, mas não muito bem). Como frescura, poderíamos ter um navegador imbutido, mas não é nada essêncial. Seria legal poder enviar um livro a um amigo e enviar junto as suas anotações, tendo ele a liberdade de usá-las.
5- Bateria. Não quero algo que me deixe na mão, como os Laptops fazem a todo o momento. Existem tecnologias que gravam o texto da página na tela de tal forma que só é usada mais energia quando se muda de página. Isso seria legal!

Não sei se eu sonhei com um produto um pouco avançado demais para os dias de hoje. Mas, pode ter certeza que existe mercado para algo assim. Quem tiver dinheiro, invista. Se quiser me chamar para ajudar no projeto, estou à disposição.

Quantos posts você perdeu hoje?

quinta-feira, maio 8th, 2008

Esta é a pergunta que me fiz e faço a todos leitores deste blog: Quantos posts você perdeu hoje? Quantas idéias geniais você teve, mas não tinha como registrar? Quantas fotos você tirou em sua cabeça, mas não tinha máquina para fotografar? Quantas melodias magicamente surgiram em sua cabeça, mas você as perdeu por não ter onde gravar? Só hoje eu perdi uma foto maravilhosa de um cara de terno sentado no chão do metrô, observando atentamente um funcionário do metro varrer. Perdi também a possibilidade de gravar um vídeo, ou ao menos áudio, do “Jesu”, um japa muito louco que fica louvando e cantando hinos evangélicos no metrô. Eu também tive algumas idéias de posts para o blog, mas perdi a maioria delas (esfriaram, sabe?). Esta idéia mesmo, a do post, foi difícil pra caramba manter. Há tanta coisa acontecendo a todo o momento, que o nosso impulso criativo se perde no meio de tanta comunicação e estímulo.

Ontem na Pós, o Samadeu falou sobre mobilidade e eu realmente senti falta de todas as promessas que ele fez para o futuro. Sei que hoje em dia já existe muitos equipamentos que permitem capturar todos esses impulsos criativos, registrá-los e armazená-los. Eu mesmo tive um Palm todo incrementado, que tirava fotos e até servia como controle remoto, mas existe ainda um desejo maior do que o de criar a todo o momento: o desejo de publicar o que foi criado, de servir o bolo ainda quente. Eu sinto falta disso, senti-a fortemente hoje. Existe, sim, a possibilidade d’eu atualizar meu blog por celular, de enviar fotos e tudo o mais, porém essa tecnologia ainda não é totalmente funcional – ela ainda não consegue acompanhar os desejos do ser humano por mobilidade e velocidade. Um dia, quem sabe. Eu estou esperando.

Acho que vou registrar meu celular no Twitter agora…


Photo by kb35. CC