A Camisa Verde

Eu nunca gostei muito de futebol, mas uma coisa que sei é que sou Corinthiano. É engraçado como você pode não saber a escalação, como seu time vai no campeonato e coisas do tipo. Mas, se você assiste a algum jogo e vê seu time indo mal, seu coração para. Outra coisa engraçada é que nunca tive uma camisa do Corinthians (não uma que eu usasse, ao menos), e a única camisa de futebol que comprei para mim mesmo é a do Panathinaikos, o mais importante time grego. O motivo para eu ter comprado essa camisa, como se pode imaginar, foi uma piada interna. Mas não vou me alongar nisso agora.

Eu quase nunca usava minha camisa do Panathinaikos. Ela tem uma gola estranha que não combina com quase nenhuma roupa que eu uso (não que isso importe muito), e, pior que isso, ela é exatamente do mesmo tom de verde da camisa do Palmeiras. Isso sem falar que também possui detalhes em branco. Por isso, eu evito usá-la. Mas ontem, por ironia do destino, eu estava usando.

Eramos 4 caras em um carro saíndo de uma quermesse de igreja e descobrindo que aquilo ali não tinha mais qualquer graça para nós. Como a criatividade em um sábado à noite não é o forte do time masculino, decidimos novamente ir ao nosso bar padrão, o Blue Pub.

O caminho já havia se tornado um padrão para mim e eu o podia fazer sem nem perceber o que fazia. Nos outros assentos, conversas animadas e debates sobre que tipo de música e sobre qual limite de volume conseguiríamos berrar para conversar sobre ela aconteciam e tudo seguia como normal.

Já bem próximo ao bar, em uma das pequenas ruas e quebradas que se tem que tomar em São Paulo para não perder o seu dia inteiro em trânsito, paramos devido ao semáforo. Do outro lado da rua consigo ver algumas meninas um pouco animadas e uma delas começa a se aproximar do carro.

Os outros caras achavam que eu conhecia a garota. Eu também achava. Desliguei o som, puxando o cabo o iPod. Ela enfiou a cabeça para dentro do vidro do carona e disse para mim, ignorando o Gustavo, que estava sentado ali:

- Me dá um selinho.
- O que? Selinho? – Perguntei com medo de tomar uma decisão precipitada.
- É, Selinho. Assim – E fechou seus labios no centro de sua boca e fez um barulho de estalo.

Meio assustado, soltei o cinto e dei um selinho na garota há alguns centímetros do rosto do carona. Ela retirou seu corpo para fora do carro e nós seguimos. Ainda meui zonzo e descrente com a impossíbilidade da história, perguntei:

- O que foi que aconteceu?

Então o Gustavo, que estava mais próximo da garota quando ela falou disse:

- Sei lá, cara. Só sei que ela disse: “Ei PALMEIRENSE, me dá um selinho”.

Acho que vou usar minha camisa verde mais vezes.

2 Comentários to “A Camisa Verde”

  1. gustavo Says:

    e + uma vez eu estava presente………

  2. shinkoheo Says:

    Que minitiraaaaaaaaa não foi por causa da camiseta foi pq ela fez uma aposta e o unico carro proximo com janelas abertas e bom gosto musical era o nosso e a parada era pro gustavo e vc foi la salvar ele do terrivel selinho da indie maluca

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