A Migração – Arrumando as malas

Linux x WindowsMinha cabeça ainda lateja um pouco, mas o que mais incomoda é o estômago que ainda não se decidiu em que parte do meu corpo ele quer ficar. É a ressaca mais longa que tive em minha curta vida. Mas, como eu e a Dani concordamos: nós nunca teremos bebido o suficiente. Porém, não é este o motivo deste post, mas sim a realização de algo que estou planejando a certo tempo, mas que sempre deixo para o fim de semana seguinte. Mas de hoje não passa: Vou migrar de OS (Operational System – Sistema Operacional). Adeus Microsoft Windows e seu Reino das Patentes e Copyright. Seja bem-vindo Linux e o Universo do Código Livre!

A decisão foi tomada dia 17 de abril e a postei no Twitter. Eu havia me dado um prazo de 1 mês para efetuar a migração, mas não cumpri meu próprio prazo. Honestamente, mudar de OS não é uma coisa tão simples assim, ainda mais quando fomos todos criados e condicionados em Windows. Houve um tempo em que pensei que a única diferença entre PC e Mac era que um rodava Windows e o outro rodava algo que não era Windows – e aposto que muita gente pensa isso até hoje! O frio na barriga é grande, mas os motivos para mudar são maiores ainda. O primeiro, e mais óbvio, é: Por que pagar por algo que se pode ter de graça? A resposta imediata também é óbvia: Porque algo gratuito nunca terá a mesma qualidade de algo que é simplesmente “dado”. Não é verdade?

Em muitos casos, temos que acreditar que sim. Mas, quanto é que a sua mãe cobra pelo jantar? E você vai dizer que prefere um jantar em um restaurante caríssimo à comida feita em casa? O motivo disso é bem simples: tudo o que é feito com amor é melhor e mais gostoso. Existe uma terminologia muito indevida que separa o que é bom do que não é. Ela chama de profissional tudo aquilo que é de boa qualidade e de amador tudo o que não é. Não consigo enxergar maior erro. O Profissional faz algo porque é seu dever fazê-lo, não porque é aquilo que ele quer fazer. Profissional é acordar cedo, tomar banho e bater cartão. O Amador faz o que ama porque acredita nisso, porque isso é o que o instiga, o que o move, o que o leva para frente. Somente em um mundo de lógicas distorcidas e contraditórias como o nosso é que o Amador é inferior ao Profissional. Mas o mundo está mudando e a Revolução não será televisionada, mas poderá ser assistida pelo You Tube. O Linux é prova de que a Amador é mais bem sucedido que o Profissional. Não digo que ninguém ganha dinheiro com o Linux, pois muita gente “vive” de Linux, mas é a idéia por trás, a filosofia que diz que todo o conhecimento deve ser compartilhado, é que faz toda a diferença.

Para quem não sabe, o Linux é um Sistema Operacional construído com seu código fonte aberto para todos que estiverem interessados nele. O código fonte é o genoma de um software. Ele é construído através de texto e, quem tiver a curiosidade de ver um código fonte, pode clicar com o mouse sobre esta tela e selecionar a opção “Código-Fonte” (ou “Exibir Código-Fonte”, pra quem utiliza o Internet Explorer ainda). Isso significa que você é livre para lê-lo, compreendê-lo, modificá-lo e até distribuí-lo. Sendo assim, hoje em dia existem dezenas de distribuições Linux, cada uma com suas qualidades e peculiaridades. E o mundo do software livre começa assim: milhares de escolhas a serem feitas. Sim, existe também a necessidade de se aprofundar um pouco mais em alguns conceitos que não nos era significante até então. Mas isso, acredito eu, é parte integrante de todo processo de amadurecimento. Quem se importava com a política internacional quando tinha 6 anos? Em contrapartida, o Windows é um Sistema Operacional cujo código é propriedade da Microsoft e não pode ser conhecido por ninguém sem a autorização da mesma. Modificá-lo então, jamais! Isso pode parecer besteira de início, mas: o que você acharia de comprar um carro cujo capô está soldado ao chassi, não permitindo que você tenha acesso ao seu motor?

E todos os outros motivos para se migrar para o Linux partem deste confronto entre Software Livre e Software Proprietário. E a questão principal que se forma é: Nas mãos de quem você quer deixar o futuro da computação e das redes. Nas mãos de pessoas que acreditam no trabalho coletivo, no compartilhamento de idéias e informações, no amor pelo que se faz. Ou nas garras de empresas que almejam o lucro antes de qualquer resultado. Não é a toa que toda nova versão do Windows sempre é lançada cheia de bugs. Pra que gastar dinheiro em testes se as pessoas vão usar o programa do mesmo jeito? Eles que encontrem os erros para nós. Depois é só lançar uma atualização na Internet.

O que ocorre é que as pessoas estão tão presas aos padrões impostos nos softwares, que nem conseguem enxergar que existem alternativas por todos os lados. O estranho em tudo isso é que elas conseguem digerir as mudanças absurdas entre diferentes versões de software, como a mudança do Windows 3.11 para o 95, ou a do Office 2003 para 0 2007, mas acreditam que nunca vão se adaptar a um software que seja desenvolvido por outras pessoas: como se a gente soubesse quem fez o que. Essa realidade contraditória gera algo mais contraditório ainda: a pirataria de software proprietário quando existem alternativas gratuitas. O mais irônico de toda a história é que esse tipo de atitude somente fortalece as empresas que são pirateadas, ao contrário do que se imagina. Isso é o que Sérgio Amadeu (meu professor da Pós Graduação) diz em seu paper “Corsários Digitais“, de 2004. A pirataria de software somente facilita a padronização dos mesmos, pois quanto maior o número de usuários, mais forte um software se torna, fazendo com que as empresas tenham que adotar esses softwares, pagando pelos mesmos. Não se enganem, a Microsoft quer que você pirateie o Office. Só assim ela tem força o suficiente para cobrar pelos mesmos às empresas e instituições (governamentais ou não). Já deve fazer mais de um ano que a Caixa implantou o BrOffice, software livre similar ao Microsoft Office, mas, como ela não inibiu a utilização do Office, ninguém o utiliza.

Mas, deixando os motivos de lado, por hora, vamos ao que interessa: a migração.

O mundo do Software Livre, como dito anteriormente, envolve uma série de escolhas. E migrar para o Linux não é diferente. A primeira dela é: Que distribuição devo utilizar? Existe um texto muito interessante sobre o assunto no site br-linux.org. O texto chama-se “O que é uma distribuição de Linux” e foi escrito por Augusto Campos. O texto não indica nenhuma distribuição específica, mas ajuda bastante a esclarecer algumas dúvidas. Basicamente cada distribuição é como um time de futebol: todo mundo tem uma favorita, mesmo sem ter motivo algum. O texto do Campos também é utilizado no wiki do site brasileira da distribuição Ubuntu, uma das mais utilizadas recentemente, e aquela que escolhi para utilizar. Então acessei o site do Ubuntu e me preparei para baixar o OS.

Ubuntu - VersõesPorém, as opções não terminavam por aí. Ao acessar o site do Ubuntu, me deparo com 4 versões diferentes da mesma distribuição: Ubuntu, Kubuntu, Xubuntu e Edubuntu. A primeira é o Ubuntu em sua forma clássica, construída com GNOME. A segunda é o mesmo software, mas construído com KDE. A terceira segue a mesma linha das duas anteriores, mas com XFCE e a última é uma versão criada especificamente para escolas e educação em geral. GNOME, KDE e XFCE são diferentes “Desktop Enviroments” (Ambientes Computacionais). Eu não sei realmente dizer o que difere um do outro, por isso procurei no google e encontrei alguns artigos interessantes sobre o assunto. Um dos mais interessantes foi o Ubuntu x Kubuntu, do site meio bit, escrito por Bruno Alves. Eu pessoalmente não sei ainda qual escolher, por isso baixei as duas e vejo na hora H o que faço. Uma outra distribuição interessante do Ubuntu é a Ubuntu Studio, que nada mais é que o Ubuntu comum, agregado de diversos outros programas livres voltados para a edição e criação de áudio e vídeo.

Um problema que tive logo de início foi que por diversas vezes eu baixei as versões do Ubuntu, mas elas vieram corrompidas. O problema deve estar no gerenciador do downloads do Firefox que não deve ser muito recomendado para arquivos grandes e também na minha ótima conexão (speedy, tsc tsc). Então como saber se a versão que eu havia baixada era boa? A solução foi encontrada no próprio wiki do Ubuntu. Existe algo chamado MD5 dentro das ISO (imagens de CD) que é utilizado para verificar a integridade do arquivo. Então tive que baixar um programa chamado winMD5Sum, porque o Windows não vem com nenhum programa para checar MD5 em sua instalação (ao contrário do Mac OS X e da maioria das distribuições Linux). Tudo checado, era a hora de gravar os cds.

Outra precaução que tive que tomar foi na hora de fazer o backup dos meus arquivos. Para isso comprei um HD externo portátil de 160GB na Santa Ifigênia. Faz tempo que eu queria um, agora posso continuar a minha coleção de filmes sem ter que me preocupar com espaço.

Para celebrar a minha mudança, bolei uma espécie de envelope para os CD. Criei uma capinha pra cada uma das distribuições e as imprimi. A capinha é bem simples e pode ser impressa em papel comum, mas é mais interessante utilizar uma gramatura maior (usei 180). Depois basta colar as abas e o envelope está pronto.

E como estou migrando para o universo do software livre, resolvi disponibilizar as capinhas para todos aqui. Coloquei até uma versão em branco para quem quiser criar suas próprias capas. Elas estão no formato .PNG, do Adobe Fireworks, e este é o arquivo que pode ser editado e alterado por todos. Coloquei também uma versão em .JPG, pra quem quiser apenas imprimir os envelopes. Infelizmente não tenho ainda uma versão criada em um programa de código aberto. Mas isso é só uma questão de tempo.

Desejem-me sorte. Logo volto com mais informações.

cds.jpg

Um Comentário to “A Migração – Arrumando as malas”

  1. Bruno / DG Says:

    Sei lá… Não consigo me acostumar com as coisas abrindo com um clique só…

    Mas eu uso Firefox. Já é um avanço, não?

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